|
|
|
MAI-07: HEAVEN AND HELL: SABS DESTRUINDO EM SHOW
|
|
19/05/2007 - PNC Bank Arts Center / New Jersey - 19/05/07
Ter um carro em Nova York é um verdadeiro pesadelo; além do trânsito (quatro dos cinco "boroughs" são conectados por pontes ou balsa), e dependendo de onde você mora (ou vai) simplesmente não há lugar para estacionar nas ruas, grande parte dos prédios não possui garagem, se você deixa o carro na rua tem que acordar cedo e tirá-lo devido à limpeza das ruas, ou se você deixa em um estacionamento tem que se preparar para pagar caro (exemplo: estacionamento de cinema em Manhattan = 23 dólares por hora).
Mas sempre que há um show em outro estado e eu tenho que depender de condução eu me arrependo de ter vendido o meu. Eu teria que pegar um metrô, dois trens e um ônibus para chegar ao local do show, mas devido a obras nos trilhos, um terceiro trem (e bastante espera também) foi acrescentado ao programa, o que me fez perder o show do Machine Head inteirinho e chegar no Megadeth já começado.
Apesar de eu não ser um grande fã do MH, gostaria de tê-los visto ao vivo (coisa que nunca fiz); além disso, meu lado profissional se ressente de não poder escrever a respeito para o leitor. Mas paciência.
|
|
O Megadeth já é uma banda consagrada e com bagagem; duas coisas que se pode esperar da banda é que o vocalista-guitarrista Dave Mustaine seja um verdadeiro cretino e que o show será competente e profissional. Mas no momento atual duas questões nascem: será que Mustaine se tornou uma pessoa melhor tendo virado cristão-novo? E será que depois de um bom tempo de molho e com formação totalmente nova (apenas Mustaine permanece) a banda ainda será coesa ao vivo? A resposta à primeira pergunta é "não" (info de backstage - Mustaine continua um imbecil) e à segunda é "sim", a banda está em plena forma e deu um show muito profissional e energético.
A escolha do set listfoi também muito inteligente - basicamente clássicos, como "Wake Up Dead", "Hangar 18", "Tornado Of Souls", "Peace Sells", "Symphony Of Destruction"... As mais recentes foram "Washington Is Next!" e "Set Me Free" (que na verdade é a música "A Tout Le Monde", do CD "Youthanasia", de 1994, que foi regravada no último CD "United Abominations" com este nome). Uma interpretação pessoal para esta nova versão seria a seguinte: no estúdio, a banda discutia tocar um cover de alguém que eles admiravam, uma lenda do metal, então Mustaine virou e disse: "Então vamos tocar um cover do Megadeth".
A última música da noite (já no bis) contou com uma combinação estranha, porém eficiente: "Holy Wars" parou na metade e emendou em "Mechanix"; quando esta terminou, "Holy Wars" continuou de onde havia parado até o fim; interessante! Mas mais interessante ainda foi ver Joey Belladonna (ex-Anthrax) entrando no meio do público no final do set do Megadeth para esperar o show do Black Sabbath (Belladonna é o cara mais da galera que eu já vi! Confira outro exemplo em http://www.dynamiteinfo.com.br/portal//portal/lernews.cfm?cd_noticia=18841).
|
|
O show dos "sabs" só não foi melhor porque eu já sabia o que esperar - uma banda com esse cacife e profissionalismo (e formação) só poderia dar um show excelente, e foi o que fizeram. Mas surpresas não faltaram, como a abertura do show com "After All (The Dead)", uma música pesada ao invés de uma rápida (o que todos estavam esperando). Mas logo em seguida veio "The Mob Rules", "para esquentar", como disse Dio, e se seguiram: "Children Of The Sea" (com uma linda projeção de fundo de neve caindo - aliás, o palco, em forma de igreja, com os três vitrais mudando de imagem o tempo todo era simplesmente demais!), "Lady Evil", "I", "The Sign Of The Southern Cross", "Voodoo" (nesta Tony Iommi apareceu com uma guitarra SG branca, um raro momento).
A primeira inédita foi "The Devil Cried" (lançada com outras duas inéditas na coleção "The Dio Years"; estas inéditas são muito boas por sinal, mas muito embora à altura do excelente material do disco Dehumanizer, ainda deixam a desejar quando comparadas às pérolas de Heaven And Hell) quem além de Dio começaria a letra de uma música com a frase: One fine day in hell... (Um belo dia no inferno...)? Esta foi seguida pelo solo de bateria de Vinnie Appice; se por um lado hoje em dia solos de bateria são geralmente um tanto quanto cansativos, por outro Appice parece estar consciente do fato e surpreendeu com um caprichado acompanhamento musical, que deixou a demonstração técnica bem mais interessante, ao mesmo tempo lhe dando uma qualidade mais épica (é interessante notar que os pratos de Appice, do patrocinador Sabian, eram todos personalizados, não apenas com a assinatura, mas também com uma caricatura dele).
Tony Iommi voltou ao palco com sua SG mais antiga (dava pra ver claramente a pintura mais que descascada pelo telão) e mandou ver "Computer God", seguida pela fabulosa "Falling Off The Edge Of The World", depois outra inédita - "The Shadow Of The Wind", e então "Die Young" e o fechamento com chave de ouro foi com "Heaven And Hell".
Aproveito a deixa para dizer que a banda, chamada hoje em dia com esta formação de Heaven And Hell e não de Black Sabbath, é devido ao fato de que a nomeação do Black Sabbath ao Rock'n'Roll Hall Of Fame em 2006 foi com a formação clássica (Ozzy nos vocais e Bill Ward na bateria), então Sharon Osbourne (esposa de Ozzy e empresária do Black Sabbath) prefere que Black Sabbath seja, então, o nome da banda unicamente com a formação da homenagem. Tony Iommi possui os direitos sobre o nome e poderia ter batido o pé, mas, como não quer brigar com a empresária, não criou problema (e fez bem, já que Sharon vive para criar confusão); como disse (e muito bem) Dio, "O público irá nos chamar de Black Sabbath de qualquer jeito, quem se importa?".
Falando em Dio, seu carisma e simpatia são inabaláveis; cumprimentando as pessoas do público como se fossem velhos amigos, agradecendo humildemente às pessoas presentes o tempo todo e até mesmo usando durante uma música inteirinha um par de óculos ridículo que ganhou de um fã (e guardando-o depois, sem jogá-lo fora como muitos astros fazem), o baixinho reinou incólume com sua voz fenomenal.
Na hora do bis, não poderia ter faltado "Neon Knights", a música que todos esperavam na abertura; mas pensando bem, nada melhor para voltar para casa (tomando um ônibus, três trens e um metrô) com "Neon Knights" na cabeça.
Texto: Micki Mihich
Fotos: Simone Mihich
|
|
|
|
|
Comentários sobre a Matéria: |
| Fala, Junior.
Olha, se vc gosta de Dio e de NWOBHM, não sei de vc conhece, mas cheque uma banda que, apesar de ser americana, fazia muito sucesso na Europa junto com as bandas da NWOBHM. A banda se chama "The Rods" e o líder é o primo do Dio, David "Rock" Feinstein. Na verdade, antes do "The Rods" (e antes do Dio ser "o Dio"), eles tocaram juntos - e gravaram - nas bandas "Ronnie Dio and The Prophets", antes no "The Electric Elves" e antes no "Elf" (coincidentemente, tocavam covers do Black Sabbath ao vivo).
Só saiu um disco do "The Rods" no Brasil, chamado "Wild Dogs" (ainda em vinil...) é ótimo. |
| De: Micki |
micki@dynamite.com.br |
|
| Cara, eu tinha o Wild Dogs em vinil. É ótimo!
No emule vc consegue o disco inteirinho a 160kbps |
| De: mutran |
gustavomutran@yahoo.com.br |
|
|
|
|