Cheguei ao Centro Cultural São Paulo já às 13h do dia 21 de abril,
esperando o show que rolaria as 19h. O pessoal começou a chegar mais por volta
das 15h; às 18h já havia uma fila imensa esperando a porta ser aberta para que
começasse o show. Todos já estavam sentados quando a banda de Rogério Skylab
entrou, e não foi difícil reconhecer os acordes pesados de Sem Anestesia
(música ainda não lançada na discografia oficial, mas já conhecida por ser
tocada ao vivo há algum tempo). Rogério já entrava no palco parecendo tranqüilo,
andando de cabeça baixa, passos calmos, chega a surpreender quando ele agarra o
microfone e desfere os gritos histéricos que marcam a primeira música do show.
Seguindo Sem Anestesia, a banda toca a primeira música do álbum que estava
sendo lançado no dia, o Skylab VII. A partir dessa música foram tocadas mais
quatro do novo disco, Samba Isquemia Noise, uma mistura da batida de samba
puro saindo do violão de Alexandre Guichard e de riffs da guitarra distorcida de
Thiago Martins; Corpo e Membro Sem Cabeça (aka A dança do corpo e dos
membros, que era como a música era conhecida antes do lançamento disco.), Eu
chupo meu pau e É tudo atonal. Partindo daí, começa a entrada da 12ª música
do Skylab VI: Dedo, língua, cu e boceta, fazendo o jogo de inversão de
palavras que faz parte de várias músicas dentro do repertório skylabiano. No
fim dessa música há uma grande agitação na platéia ao ouvirem os acordes do
antigo hit do Skylab II: Convento das Carmelitas, que foi seguida de uma
música nova aos ouvidos de muitos sendo que ainda não foi lançada, Tira Tudo,
que, com melodia suave, faz com que frases como Um tiro na minha cabeça seja
ouvida e aceita como um mero Eu te amo. Então foi executada Hei moço, já
matou uma velhinha hoje? (Skylab VII) uma rápida música, porrada, que abriria
caminho para Eu vou dizer (Skylab VII), uma música repleta de frases no
imperativo dando ordens aparentemente desconexas ou maliciosas seguidas pela
ameaça Eu vou dizer, que gera gritos desesperados implorando Não!, acabando
em uma inesperada surpresa.

A próxima na setlist foi Fátima Bernardes Experiência (música
censurada que pode ser encontrada em alguns Skylab V.) Analfabeto era mais
uma música desconhecida ainda não lançada, que foi seguida por mais músicas do
álbum da noite, o Skylab VII: Chove chuva na minha cabeça, O mundo ta
sempre girando, A irmã da minha mulher e uma das músicas que mais despertou a
platéia, não importa quão sério consideramos o trabalho do Rogério Skylab, é
quase impossível conter uma risada ao ouvi-lo incorporando Inri Cristo em O
primeiro tapa é meu. Matadouro das Almas (Skylab I, Skylab II),
trazendo o suspense de quem será a pobre (ou seria sortuda?) garota a ser
esfaqueada, foi seguida pela bêbada Ultima Valsa (Skylab VII). Nova
animação geral, um hit do Skylab II: Carrocinha de Cachorro Quente era
executada com ajuda da platéia, que cantava com Skylab essa música, que foi
emendada com Música Para Paralítico (Skylab IV). Desperdício de Tudo
(Skylab VII), então, foi tocada. Rogério apresentou a banda e anunciou que
tocaria sua última música. Surpresa nenhuma o solo de abertura Matador de
Passarinho (Skylab I e Skylab II), o maior hit de Rogério Skylab, arrancar
gritos e aplausos de todos fechando esse ótimo show que acabaria com Rogério
caído no chão após a performance de um tiro suicida. O show havia acabado,
pessoas corriam para a banquinha para comprar os CDs, camisas ou o livro recém
lançado Debaixo das Rodas de um Automóvel, outras corriam para o camarim para
pedir autógrafos. E outras iam para casa mal podendo esperar o show que
aconteceria no outro dia. E assim foi... Pouca coisa mudou de um show para o
outro, algumas músicas saíram para dar entrada a Semana Passada a psicótica
música do Skylab V, o hit Moto-serra (Skylab I e Skylab II), Derrame
(Skylab I e Skylab II), Tudo me faz bem (Skylab VI), Mastigando um
Chiclete (Skylab V), Você é Feia (Skylab V) e a minha música favorita do
mundo Skylab até agora: Dá um beijo na boca dele (Skylab VII), na qual o
artista interpreta um exigente treinador gritando para o lutador que está em
cima do ringue. A surpresa da noite foi Maurício Pereira (ex-Mulheres Negras)
acompanhando Rogério Skylab em O mundo ta sempre girando, música que foi
composta em parceria pelos dois e fecha o Skylab VII, e depois executando com
a banda do Skylab, sem que o próprio estivesse no palco, a música Tudo por ti,
do primeiro CD solo de Maurício, Na Tradição.
Centro Cultural São Paulo Sem Anestesia Quanto mais Saúde eu
morro Samba Isquemia Noise Corpo e Membro Sem Cabeça Eu Chupo
meu pau É tudo atonal Dedo, língua, cu e boceta Convento das
carmelitas Tira tudo Hei moço, já matou uma velhinha hoje? Eu vou
dizer Fátima Bernardes Experiência Analfabeto Chove Chuva na
minha cabeça O mundo tá sempre girando A irmã da minha mulher O
primeiro tapa é meu Matadouro das Almas Última Valsa Carrocinha
de Cachorro Quente Música para paralítico Desperdício de
tudo Matador de Passarinho
Centro Cultural São Paulo Sem Anestesia Semana Passada Corpo e
Membro sem Cabeça Eu Chupo Meu
Pau Motosserra Derrame Convento das Carmelitas Dedo, língua,
cu e boceta Tira tudo Hei moço, já matou uma velhinha hoje? Eu
vou Dizer Tudo me Faz Bem Fátima Bernades Experiência Mastigando
um Chiclete O Primeiro Tapa é Meu Matadouro das Almas Dá um beijo
na boca dele Carrocinha de cachorro quente O mundo ta sempre girando
(com Maurício Pereira) Tudo por ti (Maurício Pereira) Música para
Paralítico Chove chuva na minha cabeça Você é feia Matador de
passarinho
Quase duas semanas depois, na sexta feira, dia 04/05/07, entrei na cervejaria
do Sesc Pompéia... Uma intrigante boneca estava em cima do palco. A banda entra
e, para minha surpresa, o que estava sendo tocado não era Sem Anestesia e sim
uma música mais leve, algo que lembrava alguma música do Rogério, mas era
difícil dizer exatamente qual, até que Rogério pega no microfone e executa
Samba (Skylab II) com um novo arranjo. Uma coisa interessante é que
apesar das mesas e lugares para sentar, pouquíssimas pessoas estavam
interessadas em ver o show sentadas, e esse foi o meu primeiro show do Rogério
que pude ver de pé, dançar e liberar um pouco da energia do impacto que as
músicas pesadas por mais suaves que possam ser causam. Seguindo Samba rolou
uma das músicas não lançadas: Dominante e Dominado. Após algumas músicas,
foi tocada Eu to sempre dopado. Apesar de ainda não lançada, o simples refrão,
que leva o nome da música, já era cantado pela platéia. Você vai continuar
fazendo música (Skylab V) entrou para o set para ser seguida da censurada
Câncer no Cu, que, apesar de não ter sido lançada em nenhum disco de Skylab,
era cantada por todos.

Chico Xavier e Roberto Carlos, mais uma das censuradas, também foi
executada e foi seguida por Dá um beijo na boca dele, música na qual acabei me
empolgando e dando um chute no ar tão forte que caí para trás... Acho que isso
marcou muito o show pra mim. Em Música para paralítico rolou um bate cabeça
bem legal. E o show seguiu-se animado até o fim. Foi uma apresentação longa, com
aproximadamente uma hora e uns 45 minutos. O que até gora me intriga é: O que
estava aquela boneca fazendo assistindo ao show de camarote em cima do
palco? O fim de semana da banda de Rogério ainda seria longo, eles ainda
teriam que tocar em uma festa fechada e fazer um show no Outs. Esse show era
para acontecer à meia noite; meia noite e dez o produtor do show estava
desesperado na fila perguntando se alguém tinha o telefone de alguém da banda,
pois eles não tinham dado as caras até àquela hora. Um cara disse ter o telefone
do Thiago, ligou, e então todos foram avisados que haveria um pequeno atraso. A
banda chegou e teve até um tempinho para curtir a balada. Como não rolava
soundcheck a banda abriu o show com Alucinação (música instrumental que abre o
Skylab VI). O setlist era praticamente a mesma do show da noite no Sesc. A
platéia pulava, rolava uns mini bate-cabeça e um ou outro dançando
freneticamente perguntando Quem é o cara no palco?.

Acabado o show, não havia tempo para descanso. A banda já tinha que descer
para se instalar no camarim para o grande show da Virada Cultural. Tive a
oportunidade de ser uma espécie de roadie quebra galho para poder assistir ao
show de uma posição privilegiada (dei muita sorte). Rolou um stress tipo Pouca
gente vai curtir, Pouca gente vai conhecer as músicas. Eu mesmo, conversando
com o Bruno Coelho, comentei: Pois é... Hoje é um dia pra se rolar mais
conhecidas. Dentro do camarim, Rogério ficou um bom tempo com o setlist na mão,
mas no fim das contas não houve grandes mudanças. A banda já se preparava no
palco quando um dos produtores me pediu Cara, tira aquele homem do camarim, por
favor, falei com Rogério, que disse A hora que começar o som, pode deixar que
eu vou. O produtor, meio contrariado, pediu para que eu apresentasse o show no
microfone, o que fiz timidamente. Então começou a rolar Sem Anestesia. Nos
primeiros cinco segundos da música pude ver Rogério saindo como um raio do
camarim para o palco e a visão do palco era incrível. A Barão de Itapetininga
estava lotada. Parece que subestimei Rogério. Grande parte daquelas pessoas
cantava as músicas, curtiam, cantavam até as músicas do álbum que havia sido
lançado cerca de uns 15 dias antes. Eu fico Nervoso (Skylab V) entrou para o
setlist. Na música Eu vou dizer, quando Skylab canta Atenção! Mãozinha pra
cima!, foi incrível ver a cena da Barão de Itapetininga inteira com as mãos
para o céu.

Não é necessário falar que os hits Motosserra, Convento das Carmelitas e
Carrocinha de Cachorro quente (que fazia uma multidão gritar em plenos pulmões
Boceta!) foram dançadas por todos, que agitavam freneticamente. Claro que
finalizando o último show de Rogério Skylab em sua passagem por São Paulo rolou
a Matador de Passarinho. Rogério até pensou no tiro suicida, mas acabou
mandando seu tiro para a platéia e se retirou. Apesar do set ter sido pequeno,
esse foi um dos shows que eu mais curti de Skylab só por poder ver o quanto a
galera curtia um artista que está aí faz tempo e não tem um espaço na mídia como
merecia ter. Um táxi já havia sido chamado. A banda se despedia dos amigos
paulistanos que estavam por lá e botava o pé na estrada rumo ao Rio de
Janeiro. No fim das contas, foram executadas 37 músicas diferentes no
decorrer dos shows. Performances maravilhosas, que, mesmo que pareça impossível,
aumentaram um pouquinho mais meu vício no trabalho do grande Rogério Skylab.
Sesc Pompéia Samba Dominante ou Dominado? Dedo, língua, cu e
boceta Corpo e Membro Sem Cabeça Samba Isquemia Noise Tira
tudo Eu to sempre dopado Eu chupo meu pau Convento das
Carmelitas Você vai continuar fazendo música? Câncer no cu Eu vou
dizer O mundo tá sempre girando Motosserra Chico Xavier e Roberto
Carlos Dá um beijo na boca dele Chove chuva na minha
cabeça Fátima Bernardes Experiência Carrocinha de cachorro
quente Música para paralítico O primeiro tapa é meu Desperdício
de tudo Você é feia Matador de Passarinho
Outs Alucinação Dedo, língua cu e boceta Corpo e Membro sem
Cabeça Samba Isquemia Noise Eu to sempre dopado Eu chupo meu
pau Convento das Carmelitas Você vai continuar fazendo
música Câncer no cu Eu vou dizer Motosserra Chico Xavier e
Roberto Carlos Dá um beijo na boca dele Fátima Bernardes
Experiência Carrocinha de Cachorro quente Música para
paralítico O primeiro tapa é meu Desperdício de Tudo Você é
feia Matador de Passarinho
Virada Cultural Sem Anestesia Corpo e Membro sem Cabeça Eu fico
nervoso Eu to sempre dopado Convento das Carmelitas Você vai
continuar fazendo música? Eu vou dizer Motosserra Dá um beijo na
boca dele Fátima Bernardes Experiência Carrocinha de Cachorro
quente Música para paralítico O primeiro tapa é meu Desperdício
de Tudo Você é feia Matador de Passarinho
Texto e fotos: Kenny Klynter |