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ABR-07: EINSTURZENDE NEUBAUTEN FAZ SHOW EM LONDRES
Um dos comentários mais ouvidos entre os fãs e os críticos é que o Einsturzende Neubauten está, a cada dia que passa, menos "barulhento" e cada vez mais centrado nos vocais. Verdade ou não, gostando ou não, o que importa é que a qualidade da sua produção continua altíssima e a passagem de seu show pela Inglaterra não deixou mesmo a desejar.
Uma das coisas mais incríveis é ver Blixa Bargeld cantando ao vivo. Sua interpretação, como sempre, passou longe do tradicional e sua voz conseguia atingir alturas tão surpreendentes que seria impossível acreditar que aqueles sons pudessem ter sido produzidos por um ser humano se ele não estivesse ali, de corpo presente (confira aqui
http://www.youtube.com/watch?v=Zm7nGY21pNI).
Aliás, tradicional é uma palavra que não se aplica mesmo a ele: vestido todo de preto, cantava ostentando suas unhas longíssimas e pintadas de marrom.
Tocando ao lado de Blixa, o baixista Alexander Hacke também proporcionou incríveis momentos, impressionando o público com a paixão com que tocava. Usando terno e sem sapatos, tocava como se estivesse em frente a um publico de milhares de pessoas e pela última vez em sua vida.

Mas nada era mais interessante do que observar o percursionista N.U. Unruh em suas performances. Em um dado momento da apresentação, começou a se movimentar pelo palco arrastando latas de tinta presas por uma corda. Logo depois, trouxe um saco de cerca de um metro e meio de altura, cheio de pedaços de isopor, se aproximou do microfone e começou a jogá-los para cima. O som dos pedaços de isopor caindo e roçando entre si era criado era sutil, delicado, mas fazia uma composição perfeita com os demais instrumentos de percussão. Os experimentalismos não partiam de cada um, individualmente. Havia os em grupo como, por exemplo, quando todos paravam de tocar ao mesmo tempo para que apenas o som da reverberação das notas pudesse ser apreciado.
O baterista Rudolph Moser, com o cabelo à la Elvis Presley, deu uma palhinha como percursionista no final do show e o guitarrista Jochen Arbeit se manteve durante todo o tempo em seu posto, introspectivo e concentrado.
A banda tocou principalmente músicas de seu novo disco, "Perpetuum Mobile", em uma apresentação que durou cerca de duas horas.
O show aconteceu na casa noturna Koko, em Candem Town, norte de Londres, um dos bairros mais undergrounds da cidade, freqüentado por artistas já conhecidos ou ainda na tentativa. Entretanto muitos críticos e jornalistas desaprovaram a escolha do lugar. Segundo eles, a banda merecia tocar em um lugar mais moderno e bem equipado, como o Barbican, mesmo local onde os Mutantes se apresentaram em maio do ano passado. A dúvida é: o Neubauten caberia mesmo em um lugar "trendy" como o Barbican? Ou eles não estavam no lugar certo, onde a vanguarda nasce e mora?



Texto e fotos: Vanessa Ares

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