Arquivo de Conteúdo 2002-2008

 PORTAL DYNAMITE 2009
 NOTÍCIAS
 SHOWS
 REVISTA DYNAMITE
 COLUNAS
 MP3
 FOTOS
 LANÇAMENTOS
 ANUNCIE
Buscador Dynamite Online

SHOWS
SHOWS
JUN-07: GLENN HUGHES FAZ SHOW BRILHANTE EM NOVA YORK

04/06/2007  BB Kings  Nova York


Quem abriu para Glenn Hughes foi ninguém menos que Danny Johnson, atual guitarrista do Steppenwolf. Para os fãs de metal, ele é mais conhecido por ter sido o guitarrista da banda Axis, o substituto de Yngwie Malmsteen e Steve Vai no Alcatraz, e o guitarrista que tocou no disco Special Forces, de Alice Cooper. Johnson também gravou com muitos outros famosos, como Rod Stewart, Carmine Appice, Rick Derringer (que descobriu Johnson aos 18 anos de idade e com ele gravou três discos), Stevie Nicks (Fleetwood Mac), etc., e foi declarado um dos guitarristas favoritos de Eddie Van Halen.

Mas o problema de Johnson é exatamente sua experiência e talento - ele deu o show absolutamente sozinho, tocando guitarra, gaita (quando havia) e assumindo todos os vocais, enquanto todo o resto era proporcionado por um seqüenciador. Tudo bem, Johnson aproveitou as férias do Steppenwolf para "escapar" e está promovendo o seu mais recente álbum solo, Over Cloud Nine. Mas não há nada mais estranho que um cara sozinho no palco e o som de uma banda inteira saindo dos PAs... Todos sabem que há troca de energia entre banda e público em shows, mas isso nunca foi mais claro; a sensação de que faltava alguma coisa o tempo todo - uma banda  era constante. E a qualidade musical do guitarrista, que leva as músicas com tanta facilidade que parece não estar fazendo o menor esforço, colabora para que a apresentação se torne chata com o passar do tempo. É uma pena, porque o material foi muito bom e o estilo de Johnson, chamado de "swamp rock psicodélico", uma mistura de blues, rock e música da Louisiana, de onde veio (daí o "swamp", que significa pântano), é notável. A maior parte do material foi do novo disco, como Higher Power, que tem um riff poderoso (mas infelizmente os backing vocais femininos saindo sozinhos das caixas era muito estranho), a contagiante Up And Down, a música-título Over Cloud Nine (na qual Johnson também toca gaita), o blues pesadaço Boot State, o blues arrastado Backstreet Cabaret, etc. Mas ele também incluiu algumas pérolas, como Dangerous Games, do Alcatraz, Brown Eyes, do Axis, e fechou o set com Like A Rolling Stone, de Bob Dylan. O show só não foi completo porque faltava uma banda lá em cima com ele...

O show do Glenn Hughes foi, como esperado, brilhante. O inesperado foi a escolha das músicas, pois o set contou com basicamente músicas dos dois últimos álbuns (além do obrigatório material do Deep Purple, claro). É sabido que escolha de material mais recente tende geralmente a prejudicar shows de bandas, pois os fãs geralmente querem ouvir todos aqueles clássicos que vêm curtindo ao longo dos anos, mas no caso de Hughes a escolha não poderia ter sido melhor. Para começar, seus dois últimos trabalhos contam com material de excelente qualidade, músicas cuja energia decola ao vivo. Desta forma, do álbum Soul Mover tivemos a estrelar Orion, a contagiante Land Of The Livin (Wonderland), a apoteótica Don't Let Me Bleed e o poderoso rock da música-título Soul Mover (esta última parte do bis). De Music For The Divine, tivemos a escalante Valiant Denial (essa abriu o show  perfeita), a funky You Got Soul, a violenta Steppin' On; incrível o peso e a dinâmica inigualáveis que essas músicas ganham no palco. Claro, um performer com o calibre de Hughes (que detona no baixo e nos vocais) e a incrível seleção de acompanhantes musicais não deixaria por menos. Tivemos o pesado baterista Steve Stevens, o competente tecladista Ed Roth e o impressionante guitarrista Jeff Kollman, que já havia trabalhado com Hughes no disco Songs In The Key Of Rock, e famoso por seus trabalhos relacionados ao UFO (tocou baixo na banda, guitarra no projeto do vocalista Phil Mogg, Sign Of 4, e acompanhou Michael Schenker no G3), um músico poderoso que faz e já fez de tudo  de punk a metal, de jazz a trilha sonora de filmes.

Ao vivo, além da qualidade musical, a presença de Kollman no palco é admirável. Aliás, Glenn Hughes não apenas permite como também encoraja que seus músicos mostrem do que são capazes  tivemos solo de bateria, de teclado, alguns de guitarra e, claro, um de baixo e outros dois de vocal (impressionantes, por sinal) de Hughes.

O set de músicas do Deep Purple foi outro ponto forte - a variada seleção proporcionou todos os níveis emocionais diferentes que um fã de rock busca em um show  das lentas You Keep On Moving e This Time Around ao power-blues Mistreated até a bomba Burn (que fechou o show), Hughes relembrou Tommy Bolin, declarou seu amor por Nova York e ensinou sua filosofia de vida  com amor e música o homem pode tudo, até mudar o mundo. No final, ele provou realmente acreditar nisto  dizendo considerar os fãs amigos pessoais, ele saiu do backstage para conversar e dar autógrafos com quem estivesse a fim. Memorável.


Texto: Micki Mihich

Fotos: Simone Mihich

ArquivoShows Anteriores:
ComenteComentários sobre a Matéria:
QUEM SOMOS | REDAÇÃO | FALE CONOSCO | ENGLISH
2001-2006 © Associação Cultural Dynamite - webmaster