25 e
26/05/2007 Leipzig Alemanha

A bela
e histórica cidade de Leipzig, conhecida, entre outras coisas, por uma curiosa
alta quantidade de imóveis abandonados e pelos baixos custos imobiliários
(deve-se ao êxodo maciço após a queda do Muro de Berlim), é praticamente
invadida por multidões vestidas de preto (e atualmente alguns detalhes
coloridos). Durante os quatro dias do Wake Gotik Treffen, Leipzig respira o
evento e está totalmente adaptada e preparada para o acontecimento. O transporte
público, normalmente feito através dos Trans (uma espécie de bonde), é gratuito
aos visitantes e amplia seus horários para atender aos horários dos concertos e
festas. Os moradores também já se acostumaram com isso e aqueles que não viajam
para aproveitar o feriado recebem bem e até gostam da presença daquela
escuridão e maluquice na cidade.

A 16ª
edição escalou aproximadamente 160 bandas, dezenas de eventos e festas
temáticas, DJ sets, mercados e feiras, apresentações teatrais e de cinema,
sessões de autógrafos em mais de 20 pontos espalhados pela cidade e acontecendo
ao mesmo tempo. Ao
chegar à cidade já se percebe que existe alguma coisa estranha. Mesmo para quem
já respira esta cena há anos é estarrecedor ver que nas ruas e transportes há
mais pessoas com visual alternativo do que civis e perceber, já nas primeiras
horas, o tamanho da infra-estrutura e organização daquilo. São realmente
gigantescas! Uma das primeiras coisas a fazer é se dirigir ao Agra (podemos
considerá-lo o coração do festival) para adquirir seu bracelete de acesso aos
locais de eventos, assim como um mapa da cidade a destacar os palcos e a
infindável listagem e horários dos eventos; lembre-se que estamos na sistemática
Alemanha e dificilmente há atrasos. A pragmática organização é observada na
limpeza, estrutura técnica, na rigorosa segurança, acesso para a imprensa,
enfermaria, bancas com material promocional e praças de alimentação.
Primeiro
dia:
A
primeira parada musical foi o apertado Werk II (tram 11), onde vimos os suecos
NVMPH, o estranho Klingonrock do Kosmic Horrör, a sensual e empolgante
performance de Pzychobitch, os excelentes In Strict Confidence e o discursivo
Oswald Henke em Fetisch:Mensch, que para alguns torna-se entediante após a
terceira música.

Curiosamente,
o Agra (palco principal) não recebeu nenhum show até o concerto especial (já na
madrugada do dia 26/05). Provavelmente um dos pontos mais altos deste ano, a
premiere mundial dos Retrosic foi magnífica! Ensaiada por inteiro e sem
público antes da abertura das portas um pouco antes das 24 horas. Num clima de
armageddon, contou com contagem regressiva, performances, projeções, muita
energia, potência e os temas fortes e politizados já habituais destes
alemães.
Segundo
dia:

Como
se fez tradicional, estivemos no Agra. É interessante, para se começar o dia,
passear pelo mercado à procura de oportunidades imperdíveis, fotografar as
pessoas desfilando e comer/beber alguma coisa antes de se dirigir às
apresentações do dia, que começam por volta das 15h. Lá acompanhamos a
eletrónica dançante dos holandeses Angels & Agony, os surpreendentes e
ótimos Les Anges de La Nuit e, tocando praticamente
em casa, reencontramos nossos velhos amigos Absurd Minds (foto), com mais uma
vibrante apresentação. Rumamos ao Parkbühne (tram 2 ou 8), palco ao ar livre e
localizado num parque central e arborizado da cidade. Outra marcante presença
deste ano, Emilie Autumn subiu ao palco às 18h30 com toda sua beleza,
sensualidade e espectáculo teatral; realmente fantástico! Seguiu-se o bom rock
gótico dos Zeraphine. O último ponto do dia, Kohlrabizirkus (tram 16), uma pista
indoor de patinação que estava com uma fila gigantesca, a qual se movia
somente com a saída de outras pessoas do recinto. Foi nesta concentração
impressionante que o único representante português deste ano se apresentou. O
Moonspell ensurdeceu com seus pesados temas um público repleto e
extasiado.

Texto:
Luiz Soncini
Fotos:
Luiz e Luciana Soncini |