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AGO-07: VACA AMARELA: 15 BANDAS NA PRIMEIRA NOITE
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Público
Ontem, 31 de agosto, rolou em Goiânia a primeira noite da sexta edição do festival Vaca Amarela no Centro Cultural Martin Cererê, promovido pelo selo Fósforo Records. Com o número excessivo de 15 bandas (defeito da maioria dos festivais atuais), mostrou um bom painel do que se faz no rock atual, com destaque ainda para a participação do seminal Kid Vinil e Magazine. Detalhe: quando não for citada a localidade, entenda-se que a banda é de Goiânia.
O Vaca Amarela começou com 2 horas de atraso e com pouco público, com a banda Lady Lanne (Anapólis/GO) que mesmo assim trouxe alguns fãs para o gargarejo. Mostraram um stoner rock pesado com letras em inglês e boas músicas, encerrando o set com covers de Steppenwolf e Led Zeppelin. Já o The Hellbenders é outra banda local a trilhar o stoner rock. O detalhe é que é formada por adolescentes que tocam e cantam muito bem e em inglês. Se conseguirem se livrar dos clichês do estilo, tem o caminho aberto na cena.
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Boddah Diciro
Prosseguindo, o Mersault e a Máquina de Escrever faz um mix de MPB e rock, algo como um hipotético cruzamento entre Los Hermanos e Legião Urbana, mas sem parecer com ambos. Por sua vez, o Boddah Diciro (TO) é outra que está conseguindo expressão fora do seu Estado e talvez por isso tenha agradecido em palco todos os seus apoiadores. Formado por duas garotas e dois garotos, fazem um tipo de pós-grunge cantado em inglês.
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Poser Pride
Com a impossibilidade do Dead Smurfs (MG) tocar (devido a um acidente com seu vocalista) subiu ao palco o Poser Pride, que faz um punk rock feminino em português, mas sem cair no maniqueísmo riot grrrl, já que algumas letras demonstram bom humor. Mandam bem, embora era notória a falta de público para este estilo no local. Diego de Moraes e KGB já tem um certo nome na cena goiana, com seu pop rock de acento oitentista, lembrando um pouco Nando Reis. Um show agradável com músicas de potencial.
Eis que entra o Shakemakers, formado por músicos experientes e que faz um rock'n'roll pesado e bem executado. Entre citações de Metallica, Queen e Steppenwolf sobressaem-se também as letras, com ótimas tiradas como "Eu gosto do que não presta, por isso gosto de você". Mais rock'n'roll impossível. Em seguida, com uma apresentação 'normal', veio o Yglo que faz o tipo de metal/hardcore/rap, típico do 'mainstream rock' atual, alternando letras em inglês e português.
Com o rock instrumental ganhando destaque atualmente, o Seven entrou ao palco exibindo um som pesado com toques psicodélicos e setentistas. Mais anárquico e ousado, o Satanique Samba Trio (DF) exibe uma faceta mais ousada e diferenciada. Apesar do nome, é um quinteto de primeira que agrega cavaquinho e violino (e eventualmente algum sopro) ao baixo-bateria-guitarra tradicional. Com referências venéreas e de splatter gore, lembram um pouco o encontro entre John Zorn e Napalm Death na década passada, embora às vezes os arranjos soaram um pouco embolados.
Entre os dois grupos instrumentais, tocaram os extraterrestres do Trilobit (Londrina/PR). Uniformizados e com uma performance tresloucada, eles fazem um som mapeado por bases eletrônicas e vocais processados comandados por um teclado e laptop, mas bem arregimentado por um trio de baixo-guitarra-bateria. As músicas são ótimas (um versão transgressora de Enjoy the Silence do Depeche Mode sobressaiu-se) e agradaram em cheio ao público. Já o Mechanics, como eles próprios se definiram, é a banda que se recusa a acabar. Com um som visceral contou com a cumplicidade do público, numa postura diferente do show que vi meses atrás no Porão do Rock. À tona, novamente, uma certa rixa entre Goiânia e Brasília, afinal a proximidade poderia promover uma integração maior entre ambas as capitais que tem cenas independentes vibrantes.
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Vanguart
A penúltima banda, o Vanguart (MT) já deixou de ser promessa, para ser uma das principais bandas da cena independente atual. Creio que se tivessem o suporte de uma grande gravadora poderiam estourar com suas canções em português, mas como sabiamente mantém em seu repertório lindas pérolas em inglês, o caminho rumo ao exterior talvez seja o mais indicado. Um show cativante, com uma qualidade musical pouco vista hoje em dia.
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Kid Vinil & Magazine
Já era 3 da manhã, quando o Kid Vinil e Magazine (foto, SP) começou com "Kid Vinil, o Herói do Brasil". Dada a hora somente cerca de 100 pessoas presenciaram uma boa apresentação dos veteranos. Entre covers de Ramones, Iggy Pop, Erasmo Carlos e Joelho de Porco, mandaram todos os seus hits, com destaque para o final com "Tic Tic Nervoso" e "Eu sou Boy". Kid também mostrou sua faceta irônica e rocker em detrimento à postura reservada que exibe fora dos palcos. Ironizou quem o chamava de vovô ao dizer que ainda tem corpo de trinta e ao responder um "Vai se foder" disse: "Vou me foder sim com esses dois caralhos grandes da minha camisa e se você quiser tem outro caralho grande aqui a sua espera". Uau!
E o festival prossegue hoje a partir das 17 horas com mais 16 (!) bandas, entre elas Montage (CE), Patife Band (SP), Revoltz (MT) e os gaúchos do Tequila Baby e Bidê ou Balde. Maiores informações www.fosfororecords.com/vacaamarela.
Texto: André "Pomba" Cagni, que viajou à convite da organização do evento. Foto: Aline Mil, Polli Shiver, Yana
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