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SET-07: VACA AMARELA LEVA BOM PÚBLICO NO ÚLTIMO DIA
O segundo dia do Festival VacaAmarela, ocorrido ontem sábado dia 1 de setembro, no Centro Cultural Martin Cererê em Goiânia teve um bom público de cerca de 1500 pessoas, bem superior ao dia anterior que levou apenas 500.
A abertura coube ao grupo Os Infalíveis, formado por adolescentes que anunciou que fazia seu último show. Talvez pudessem ter acabado sem terem incomodado Jimi Hendrix, com sua pavorosa versão de Purple Haze. O Chili Mostarda (MT) rodou cerca de 1000 km (tocaram no dia anterior no Festival Calango em Cuiabá) e mesmo com todo esforço tocaram num horário ingrato com pouco público. Seu rock pesado e urgente que vem temperado com letras iradas de cunho político e até sexual merecia melhor sorte.
Em seguida, duas bandas locais fizeram shows medianos. O Futura com seu hardcore melódico e vocais femininos até tem boas músicas, mas nada fora do comum, diferentemente do Baltazar (que substituiu em cima da hora o grupo Maria e seus Malucos de Catalão/GO que não compareceu). Eles fazem um rock instrumental ainda cru com algumas forçadas incursões no reggae e baião.

A coisa começou a melhorar quando o U-Ganga de Uberlândia (MG) subiu ao palco com seu nu-thrash metal cantado em portguês com vocais agressivos e tendo um DJ nas bases. Mas o ápice mesmo veio com o show do Montage (CE). Antes de começar, pela primeira vez ocorreram filas e frenesi na entrada do palco. Foi, sem dúvida, o melhor e mais agitado show do Vaca Amarela. O vocalista Daniel Peixoto está mais seguro e performático, só pecando no exagero de delay nas vozes. Com o público cantando todas, garotas subindo ao palco para mostrar os peitos, ironicamente uma banda de música eletrônica mostrou alguns dos momentos mais rock'n'roll do festival.
O outro grupo veterano a tocar, Patife Band (SP), mostrou que mesmo com 20 anos de doideira musical, seu som ainda cativa e emana frescor. Com um instrumental quebrado e abusando das dissonâncias, o trio comandado por Paulo Barnabé foi outro a sair ovacionado pela garotada atenta. Logo após, foi irônico ver um grupo do Paraná, o Charme Chulo, ter que vir à terra das duplas breganejas para mostrar um perfeito som caipira, num bemvindo mix com rock, de viola com guitarra, no que contaram com a simpatia do público.

Prosseguindo mais 3 bandas locais: o Woolloongabbas com seu puro rock'n'roll do bom, com todos os clichês imagináveis e contando copm bo afama na cidade; o Technicolor que faz um tipo de gothic metal porém sem o visual, com vocalizações angelicais lembrando um pouco o Evanescence e tendo como interessante a inclusão de flauta transversal; e o Bang Bang Babies que fez um show diretaço, numa linha meio stoner punk. Outra banda que tocou como se senitisse em casa foi o Revoltz, que apesar de serem do Mato Grosso são contratados do selo local Fósforo. Eles lembram um pouco a estética das bandas gaúchas de rock, porém com uma sonoridade variada.
Mais duas bandas goianas mostraram serviço. O Johnny Suxxx and the Fucking Boys fez um show contagiente com o hit "Put it on fire" como destaque. Seu som é um rock visceral com groove e em inglês se tornando uma das melhores exportações do Estado atualmente. Já o Goldfish Memories faz um som mais denso com arranjos que alternam momentos calmos e porradaria, com um trabalho vocal apurado e com expressão.

E a saideira foi com duas bandas gaúchas. A penúltima a se apresentar, o Tequila Baby, provocou meia hora de apreensão do público, que do lado de fora gritva o grito de guerra do Ramones: "Hey Ho Let'S Go!". E o TB retribuiu à altra a expectativa, com o único show com abertura de rodas, popo, mosh e stage diving. E eles não fizeram por menos e fecharam o set com clássicos do Ramones como "I wanna be sedated" e "The KKK took my baby away". Fechando com chave de chimarrão e com o alto astral no máximo, o Bide Ou Balde? contou com casa cheia, mesmo começando a apresentação as 3h30. O vocalista Carlinhos mostrou que é realmente uma figuraça de voz forte e rouca, com ótimas tiradas e pedindo estrobo o tempo todo!

E assim acabou a maratona com 31 bandas e cerca de 18 horas de som do Festival Vaca Amarela. Uma dica para os próximos anos seria fazer algumas seletivas locais para que possibilitem o evento ter menos bandas, afinal algumas delas mereciam ter tido mais tempo para tocar.

Texto: André "Pomba" Cagni, viajou à convite da organização do festival.
Fotos: Polli Shiver

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