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SET-07: SAIBA COMO FOI O PRIMEIRO DIA DO JAMBOLADA
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Acido Groove
A terceira edição do Jambolada teve início na sexta-feira (14/09) com a maior estrutura já vista na cidade para um festival independente. A imponente Acrópole abraçou muito bem as bancas de merchandising, num espaço caprichado e sem aperto, e o público pôde conferir bons shows e com a qualidade de som superior às edições anteriores. Correu quase tudo bem, como vocês poderão conferir abaixo. Uma pena o Pomba não conseguir ter embarcado para cá. Já que ele não voou, dynareaders terão que me agüentar novamente, agora, falando de casa!
Uberlândia, Minas Gerais. O clima está quente e seco. Após uma discussão muito boa sobre comunicação e produção independente com Rodrigo Lariú (Midsummer Madness), Israel do Vale (Rede Minas) e Terence Machado (Alto Falante), hora de pensar nos shows.
Devido a uma bronquite alérgica agravada por 19 horas exposta ao ar condicionado num ônibus no trajeto Cuiabá-Uberlândia, meus pulmõezinhos não estão nada bem... Portanto, inalação de manhã, tarde e noite, e, conseqüentemente, atraso para chegar ao festival, que também atrasou para começar...
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Falcatrua
Perdi a apresentação do Vandaluz, de Patos de Minas, uma cidade vizinha aqui de Uberlândia, porém, os vi na seletiva que os colocou aqui e pelo que me contaram depois no backstage e pelo que levantei com o público, eles foram muito bem com sua mistura de rock, poesia e psicodelia e capricharam no visual, que incluiu até saias para os meninos. A curiosidade no Vandaluz é o modo como fazem seus lembretes, nem sei se trabalham com setlist, mas nos braços de três dos quatro integrantes tem escrito a ordem dos poemas ou mesmo um trecho deles.
No palco, o representante de Uberaba (MG), AcidoGroove, que levaram o Prêmio Toddy na categoria Revelação por seu Anti-Herói. A princípio, o que todo mundo comenta é muito parecido com Los Hermanos, mas isso é um pouco de preguiça de analisar. Apesar da semelhança do vocalista com Amarante (LH), e, claro, terem sido influenciados por eles também, pára por ai. Sem querer ser pretensioso, quando a gente começou e ouviu Los hermanos pensamos, eles estão fazendo algo parecido com o que a gente quer, comentaram durante entrevista. Durante o show, muita gente se colocou a dançar na pista. Eles têm boas letras, bons backings e as camisas em xadrez ajudam!
Enquanto isso nos bastidores, legal ver a mídia especializada em peso por aqui, fazer o caminho inverso. Hoje eles estão na minha casa e isso é um puta (viva a liberdade editorial da Dynamite) orgulho para nós aqui. Quando o Proa, de Belo Horizonte, subiu ao palco, poucos sabiam do que se tratava e muitos se surpreenderam com a proposta músico-cinematográfica do trio. Uberlândia não é perto, mas a estrada está boa. Esse negócio de não passar som é foda. A gente demorou um pouco para se encontrar aqui, desculpou-se o vocalista da banda, com dois anos de atividade. No gargarejo, alguém pediu Nikita, e eles tocaram. Contaram ainda com a participação do músico Guto, do The Dead Lovers Twisted Heart.
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Porcas Borboletas
O Falcatrua, também de BH, chegou com seu Falcatrua e o Pau de Arara Especial para ser um dos shows mais elogiados da noite. Com seus macacões cinza, o quinteto mostrou sua mistura de pop, rock, jazz e samba, sem parecer cult demais ou pretensioso, e angariou novos fãs. A performance é um caso à parte, um show para se ver e ouvir. Em determinado momento, o vocalista mostra suas habilidades circenses sobre cadeiras empilhadas, cadeiras Falcatrua, feitas especialmente para as apresentações. Assim, não corre o risco de cair como já aconteceu quando precisou usar cadeiras de bares. Perguntados sobre como se classificariam, respondem simplesmente que são uma banda de música brasileira. Como bandas que vimos aqui hoje, o Vandaluz e até mesmo o Porcas Borboletas, a gente busca fazer um show que vai além da música e que tenha um pouco de teatro e circo também, completou o vocalista André.
Alteração na ordem das apresentações. Tom Zé entra no palco antes do Juanna Barbera. A demora na preparação do palco beirou uma hora e os sinos já haviam anunciado a meia-noite fazia tempo. Enquanto o idoso, como ele mesmo gosta de se chamar, estava no palco, poucos permaneciam nas dependências externas da casa. É fato, mesmo que você não conheça ou não goste, tem que respeitar esse doidão, que aos 72 anos ainda puxa orelha de jovem metido à besta durante seu show. Tem hora que você precisa dar um esporro nessa garotada. Alterei todo o meu setlist para fazer um show bom aqui. Você tem que saber ser humilde, disse ele em entrevista pouco após o show, comentando um incidente durante a apresentação. Confesso que não estou muito por dentro da obra de Tom Zé e por isso paro por aqui. Não vou fazer busca no Google nem parafrasear resenha de ninguém pra parecer mais cool, músicas que eu não conhecia eram cantadas em coro por centenas de pessoas e basta você saber disso. Eu me lembro do Hino da Guerra e Jimmy Hendrix, acho que gravei um trecho da bronca dele antes do início desta música.
Agora sim, Juanna Barbera. A banda uberlandense mostrou-se muito bem entrosada e a exemplo de outras bandas da noite, mostrou sua música brasileira com intervenções teatrais que levaram ao palco até uma máquina de escrever, daquelas bem antigas mesmo. O figurino também estava caprichado. Quanto às músicas, têm o tom panfletário e discursivo de Robinho, o vocalista, e é bem isso mesmo, música popular brasileira. Agradeceram às bandas que se deslocaram para Uberlândia e convocaram todos para o Nação Zumbi, que toca sábado.
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Tom Zé
Sinal de cansaço por toda parte. Pessoal fazendo a cabeça no backstage, Rangel (Daniel Belleza), dormia sobre um balcão e Hélio Flanders (Vanguart) cortava algumas músicas no setlist devido ao avançado da hora enquanto o Los Porongas, do Acre, subia ao palco. Pela primeira vez em Uberlândia, eles tocaram músicas que encantaram o público cuiabano, goiano e paulista no último ano. O primeiro disco, que saiu pelo selo Senhor F, que está aqui em Uberlândia, deverá ter uma boa procura por aqui. A voz suave de Diogo é para massagear os ouvidos. A guitarra de João Eduardo fala e sua entrega no palco é ímpar. Com Magrão e Jorge na cozinha, o indie pop acreano do Los Porongas ecoou pela Acrópole. Eles escreveram uma das melhores canções que ouvi este ano, Espelho de Narciso e no show a galera parece ter curtido muito Tudo Ao Contrário.
Ah, Vanguart. É a segunda vez deles em Uberlândia e os cuiabanos conquistaram mais audiência nas Gerais. Abriram o show com Cachaça e o público foi se aproximando. Incrível como eles ficam à vontade no palco, literalmente em casa. No Jambolada estão reunidos vários músicos amigos e amigos músicos. Portanto, fica tudo mais gostoso. Semáforo é sempre uma festa com participação de Enzo Banzo, do Porcas, e Rangel. Era comum ouvir Nossa, eles são muito bons, enquanto andava de um lado para outro para ouvir como estava o som para todo mundo. É isso, eu estou aqui preocupada com duas coberturas de show neste sábado e as resenhas de cada banda vão ficando menores, não que tenham sido menos importantes! O fato de ter um palco só não agiliza muita coisa.
Um colega jornalista me disse que o Porcas Borboletas (foto) fez mais sentido para ele aqui, em Uberlândia, do que quando os assistiu em Belo Horizonte. Acho que entendi. Para o Porcas, uma das raras bandas uberlandenses a ter um considerável público com seu som autoral, tocar em casa tem sempre um gostinho especial. Temos que ter orgulho disso aqui, gritou Enzo ao microfone. Eles apresentaram um show um pouco diferente, um pouco mais dinâmico e veloz. Amigos no palco para Cerveja.
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Daniel Belleza
Se não me engano, eram 5h22 quando o Daniel Belleza e os Corações em Fúria começou seu show. Se não me engano eram 5h55 quando Daniel Belleza surgiu em fúria no backstage. Se não gosta, não chama, porra!, esbravejava ele. Explico. Os caras encararam 8h de viagem em uma van de São Paulo para cá. Por volta das 22h já estavam na casa, como sempre, fazendo mais amigos, confraternizando, aquela coisa rocknroll toda. Eles estavam programados para tocar às 2h45. Sexta-feira. Muita gente tinha aula ou trabalhava no sábado e resistiu o quanto pôde, mas acabaram deixando a casa. Porém, os fãs de Daniel Belleza que viram apresentação no Jambolada 2005 não arredaram o pé e esperava sedentos por uma viril, poderosa e glamourosa apresentação, como é de praxe do quarteto. O novo figurino dos meninos está um primor. Não leva pouco tempo para montarem o espetáculo, como Daniel gosta de definir o show. Mal deu para o aquecimento. Tem o vídeo de Amanheci te Esperando para vocês. Estavam terminando o refão Ill Be A Cow For You, quando as luzes se acenderam pela primeira vez, e era só a terceira música. Apaga a porra dessa luz, se acabou a gente vai embora. Eu não tenho medo de ninguém não, só da minha mãe, porque ela é muito brava, brincou Daniel. As luzes se apagaram e mandaram ver em I Wanna Be Your Dog, com convidada no palco e tudo. As luzes se acenderam novamente. Eles não estavam nada satisfeitos no palco, dava para perceber e foi um puta empata foda para a galera que estava curtindo o show esse lance do horário. Segundo os organizadores, o pessoal da casa disse que cortaria o som às 5h30. Daniel chamou os amigos ao palco e cantaram até o início de We Are The World, mas o bicho pegou mesmo com Aonde Estão as Flores da Sua Cabeça e depois Blitzkrieg Bop. Fim de show. Não rolou A Caixa, não rolou Baby e infelizmente eles deixaram o local muito frustrados, o que é bem compreensível. Eles não estavam reclamando por serem a última banda, nem mesmo pelos atrasos, a reclamação principal era exatamente pelo fato de não poderem fazer seu show completo. Já que é a última banda tinha que tocar até quando o povo quisesse, oras, comentou Daniel. Mesmo assim, quem ficou até o dia clarear não se arrependeu e espero que neste sábado nenhuma banda seja prejudicada por questões de atraso.
Texto e foto: Adreana Oliveira, editora da Novo Som do Correio de Uberlândia e Netsite
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