|
|
|
SET-07: JAMBOLADA SE DESPEDE COM RECORDE DE PÚBLICO
|
|
No segundo dia do festival Jambolada, em Uberlândia (MG), o relógio funcionou direitinho. Muita gente bonita, descolada, legal e de diversos estilos. Por falar em estilo, os jovens estilistas foram destaque na área de merchandising. No domingo, o encerramento aconteceu a céu aberto, em praça pública. Saiba como foram os dois últimos dias do maior festival independente de Minas Gerais.
Quando cheguei à Acrópole no sábado (15 de setembro) percebi que havia perdido os shows de Um Bando e o Fim da Quadrilha (MG), The Dead Lovers Twisted Heart (MG) e Super Hi-Fi (RJ).
O guitarrista Marcelo Perrone, do Super Hi-Fi, elogiou o show das bandas anteriores e admitiu que estava nervoso e com um certo medo da recepção do público. Explica-se. O Super Hi-Fi pode ser considerado o representante mais rocknroll do festival. Pelas outras atrações, que são mais low profile e ainda pegamos o início, com a galera chegando, mas no fim sempre tem uns malucos balançando a cabeça lá na frente", comentou. Perrone já sinalizou que quer voltar no próximo. Enquanto conversávamos, rolava o som do Estrumenntal, de Belo Horizonte. O som deles também está bem pesado, muito foda, elogiou.
|
|
O Dead Smurfs é prata da casa, subiu ao palco com o seu infanto-rock já no costumeiro traje brega e começaram o show com um instrumental mais pesado, não sei dizer que música era. Há uns dois anos em uma entrevista disseram que em dez anos seriam o Angra. Sei não. No fim só lembro mesmo do Go, Go Power Rangers.
Um dos melhores shows deste Jambolada foi o último a ser confirmado. Depois da desistência do Mechanics, vieram os Astronautas sem complicações. Mostraram sua fusão rock-eletro para um público maior do que o da primeira edição e muito mais animado. Algumas das músicas foram cantadas junto de André Frank (guitarra e vocal), Guga (baixo) e Perninha (bateria). Os macacões amarelos foram um show à parte, com uma iluminação boa também. Mesclaram o repertório dos três discos lançados, com ênfase no mais recente, O Amor Acabou. Após o show, o trio foi assediado por onde passava, o reconhecimento de quem já conhecia e de quem ficou fã depois do show. Para André Frank, voltar nesta terceira edição foi um presente, mas não veio fácil.
Pela terceira vez em menos de um ano vi outro show do Supergalo (DF). Os três foram diferentes, e bons. Pelo que percebi no público não tem meio termo com eles, ou gosta ou não gosta. Perigo, Perigo tem um refrão daqueles que gruda, eu particularmente gosto. As temáticas variadas das letras, que vão de críticas sociais a relacionamentos desastrosos, também fazem com que a apresentação não fique monótona. Ponto para Alien. A missão do Supergalo não é fácil. É impossível dizer que a expectativa das pessoas não muda quando vêem no palco ex-integrantes de Raimundos (Fred), Rumbora (Alf) e Maskavo Roots (Marcelo). O que fazem hoje no Supergalo não ficou parecido com o que faziam separadamente, e o rock nacional ganha com isso.
|
|
Como é bom ouvir Superguidis ao vivo! Te cuida Rio Grande do Sul porque o vocalista Andrio disse que quer construir uma casa na Lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte. Mas isso é para um futuro distante. Urgente é seguir adiante com a turnê do segundo disco, A Amarga Sinfonia do Superstar (Senhor F Discos), que chega com melodias mais apuradas e letras mais maduras (não, eles não ficaram chatos). Ouvi o disco apenas uma vez e já tenho pelo menos três faixas favoritas. Só faço ressalva sobre uma coisa: o show foi curto!
A difícil missão de anteceder o Nação Zumbi coube à banda uberlandense Antena Buriti com o seu anarco-pop. Com suas máscaras destilaram músicas com contextos sócio-culturais de uma banda para daqui 15 anos, como revelaram em entrevista posterior ao show. Antes de mais nada, eles fazem questão de dizer que são uma banda de música livre e não se prendem a um ou dois estilos. O que sentirem que ficou bom na música será colocado. Na apresentação, se destacaram Roça Nova e Jackie.
De um show durante o dia, gratuito, no campus de uma universidade há 11 anos, para um show de som e luz no Jambolada. Headliner que se preza é assim mesmo, tem camarim exclusivo e ai de quem se aproximar sem autorização expressa da produção da banda. Enquanto esteve na Acrópole, a Nação Zumbi (foto) foi cercada de cuidados, o que para muitos, nos bastidores, foi bem desnecessário. Entrevista só para a MTV. Mais tarde, pediram votos para o VMB. Mas o que importa é a música e o show foi dentro das expectativas. Praticamente o mesmo que apresentam desde o ano passado, o que varia é a energia trocada com o público, que é o diferencial de cada show. Vocês estão cansados? É bom curtir aí porque só voltaremos daqui 11 anos, brincaram. Lúcio Maia continua quase sobrenatural com suas guitarras. O repertório mesclou som mais novos com as obrigatórias, como Maracatu Atômico e Manguetown.
|
|
ENCERRAMENTO
Os bichos-grilo estavam por todo lado na praça Sérgio Pacheco, assim como famílias inteiras, poeira, cachorros, formigas, garçons para servir cerveja e um sol de rachar contemplaram o Arte na Praça Especial Jambolada. O cenário deu o tom mais alternativo do festival e serviu para confraternizar músicos, público, produtores e jornalistas que durante estes três dias dividiram experiências e somaram colaborações.
A música virtuosa e instrumental foi destaque com a dupla Duofel, de São Paulo e o Quarto de Tom (MG). Cheguei pouco antes de Makely Ka, de Belo Horizonte, iniciar seu show. Temos uma missão dupla aqui hoje: tocar depois do Duofel e debaixo deste sol. Este é um bom nome de música, comentou. Mesmo com sol, mesmo depois do Duofel e um início poético, Makely Ka colocou o povo para dançar com direito a participação até de Glauber Rocha.
O trio cearense O Quarto de Cinzas ganhou a admiração do público também com o discurso da música livre. Desde que seja bom, não importa se caracterizam como pop, new age ou alternativo. Em Circulares contaram com a participação especial de Diogo, vocalista da banda Los Porongas, em um grande momento do festival. Em entrevista após o show, eles comentaram que gostaram da experiência de tocar no festival e adiantaram que existe a possibilidade de terem um baterista no futuro.
Podem falar que estou babando ovo em cima do Móveis Coloniais de Acaju (DF) e estou mesmo, porque os caras merecem. Como costumo chamá-los de melhor big band pop do País, se não a única, não fiquei nada decepcionada com o que mostraram no fim da tarde de domingo. Abriram o show com Menina Moça e já percebi que muita gente ali sabia cantar. Simpatia total no palco, fizeram as pessoas se movimentarem por todos os lados até a roda em Copacabana. Pobres instrumentos com tanta poeira que o Móveis levantou! Mas a causa foi justa. A interatividade é marca registrada dos caras. Foi a primeira vez que a banda se apresentou em uma praça, que pena que faltou um integrante neste dia antológico.
O poder do Móveis está em atingir um público muito diverso e há coisas que só a música faz para você. Lá pelas tantas, um senhor subiu ao palco e dançou com os meninos. Sr. Dráuzio foi saudado aos gritos de tiozão, tiozão, tiozão e ganhou a simpatia da família MCA. Eu fiz uma coisa, subi no palco sem ser convidado, disse ele ao microfone. Depois fez questão de elogiar cada um dos meninos e agradecer pela performance. O poder da música está nisso, na magia de fazer a diferença na vida de alguém comum.
|
|
CONSIDERAÇÕES
No total o público nos três dias deve ter beirado nove mil pessoas. Para quem viu a primeira semente a ser lançada há três anos, no Sesc, para pouco mais de 300 pessoas por dia, é grande o orgulho por ver que a cidade tem, sim, condições de fazer com que a cultura local promova um intercâmbio nacional entre bandas, jornalistas e produtores. Deixando de lado a discussão de manter ou não manter os headliners, o importante é agradecer ao público que compareceu e de repente se viu maravilhado com um show que não estava esperando, de uma banda cujo nome nunca havia ouvido falar.
O desafio agora é manter o nível e como diz o lema da Associação Brasileira de Festivais Independentes (Abrafin), acontecer, independente do que aconteça. Com ou sem lei de incentivo, com ou sem headliner, com ou sem mega-patrocinador, tem que virar. A Acrópole se mostrou um ótimo lugar para abrigar um evento desse porte. Muito bom ver nossos amigos do merchandising bem abrigados, sem aperto ou mesas caindo aos pedaços. É bom dar as bandas um camarim decente e aos jornalistas a possibilidade de circular livremente em qualquer área. Sem contar que não precisamos contar com o tal banheiro químico!
Perfeito não foi. Mas foi muito bom. Até mesmo Daniel Belleza, mais calmo, disse que gostou demais de retornar ao Jambolada. Considerações como as de João, guitarrista do Los Porongas, sobre a importância de ter no festival bandas que entendam o que o novo cenário da música nacional tem a oferecer e como ele funciona são essenciais para que os produtores não se deixem levar apenas por números.
Como disse Fernando Rosa em entrevista para o meu programa de TV, estamos em meio a uma revolução e muita gente não percebe. É assim que a cena acontece. E que venham mais eventos, mais casas de show legais, mais discussões e que a evolução aconteça de uma vez por todas. Agora sim, Uberlândia entrou no mapa da música. E viva o cenário de artistas e jornalistas pedreiros!
Texto e foto: Adreana Oliveira, editora do Jornal Correio on-line e portal Netsite
|
|
|
|
|
Comentários sobre a Matéria: |
| Excelente a matéria e o festival! Viva a música independente em todo o brasil...Devagar que seja a coisa vai rolando!
Abraços paulistanos! |
| De: Vicky Machado |
vickyska@hotmail.com |
|
|
|
|