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SET-07: KURA DEL SUR: NOITE EM REVERÊNCIA AO METAL
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fica bem no meio da América do Sul, e nada melhor do que garimpar o que tem
pelos países, juntar tudo e fazer um festival. Posso dizer que 29 de setembro
foi uma noite histórica para o metal mato-grossense, melhor ainda, uma noite
histórica para o metal sul-americano, porque essa era a proposta do Festival
Kura de Sul. A idéia toda era focar a cultura sem-fronteiras, a começar pelo
nome: Kura vem do Bakairi (indígenas da região de Nobres, em Mato Grosso), e
quer dizer gente, ser humano, nação. Del Sur já vem do Castelhano, e, juntos,
podem ser lidos como Nação do Sul. Uma das grandes sacadas do festival foi
convidar o Sepultura para fechar a noite, e tome lá, a turnê mundial Dante XXI
entra na rota da arena do Museu do Rio, em Cuiabá.
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Embora
tudo já estivesse pronto, a galera demorou para chegar. A primeira banda já
estava quase começando e nada de público. A apresentação do Instituto Mandala
foi uma mistura de soul, funk, rock e siriri (dança típica do Estado) feito por
jovens que tinham nos punhos latas de tintas e tudo o que pudesse ser encontrado
na rua e transformado em instrumento. Esse é um projeto cuiabano de inclusão
social dentro do ensino da Percussão Brasileira, trazendo a sociabilização de
crianças, jovens e adultos através da música. No repertório? Opa, desde temas
autorais até Tim Maia. Pena que ainda não tinha tanta gente. Daí quem continua a
sonzeira é o Cachorro Doido, rocknroll setentista no seu mais puro conceito.
Acabaram de lançar o primeiro CD e estão a todo vapor para correr os palcos do
País. A história deles é bem simples: quatro músicos que já tocaram em várias
bandas de Cuiabá, cada um com 10 anos de palco, se juntaram e: Vamos fazer uma
banda?. Pronto. No show ainda teve espaço para alguns clássicos do rock
mundial. A galera já ia chegando, e a arena tava ficando bonita. A única
banda de punk rock do festival nasceu em 2006, e desde vem participando da cena
independente da cidade. Snorks fala sobre sonhos e cotidianos, frustrações e
medos regados a uma pegada forte, isso porque a faixa etária da banda gira em
torno de 19 anos. Felipe Dandolini, guitarra e vocal principal, dessa vez estava
mais seguro - mais solto - sem muito nervosismo, o que era apresentado em outros
eventos. E isso foi decisivo na resposta da banda, que está cada vez mais
redonda e consciente na estrutura da música. Na última música parou tudo. Uma
queda de energia levou o show a uma paradinha de cinco minutos. Depois tudo
voltou ao normal e o negócio começou a pegar fogo de novo.
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De punk
para o metal extremo, Blessed By Hate, de Campo Grande (MS), mostrou um pouco da
influência hardcore, mas a agressividade, a cara de raiva do baterista e o clima
de tensão foram os pontos altos do show. A banda já tem quase três anos de
estrada e está começando a rodar os cantos do Brasil. O engraçado eram as
dedicatórias, cada música correspondia a cinco amigos, e o pessoal
aplaudia. A primeira banda internacional do festival vinha de Santa Cruz,
Bolívia. Anomalia já peita a cena underground do País há quase cinco anos e faz
do metal seu reduto para concentrar força e energia gravadas no último CD,
Cicatrices. O show foi bem executado, consciente e arranjado. Dá até para
arriscar que foi uma das melhores bandas da noite. As influências são claras
quanto ao hardcore, e é evidente o passeio do som por elementos nativos.
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HellZen
é puro heavy metal. De início a galera não pegou muito a onda. Mesmo o clássico
Smoke On The Water, do Deep Purple, jogado de cara depois da introdução, não
deu muito certo. A construção melódica da banda é certeira, fazendo até quem não
gosta muito do estilo tentar se meter numa rodinha dessas. No início do show
apareceu um cara cuspindo fogo e todo mundo quis saber o que estava rolando, mas
o fogaréu dura pouco, só o bastante para deixar todo mundo olhando para o palco.
Acho que nem precisava, pois a banda tem força suficiente para chamar o pessoal
pelo som. Mas, falando sério? Até que aquele negócio era engraçado. E os
paraguaios do The Profane subiram com tudo no palco. A banda é considerada uma
das principais da cena do seu País, e já chega ao Brasil mostrando como é isso
de perto. O show é tenso, rasgado, mas não tão bom. Sendo uma das mais cultuadas
da cena paraguaia, a banda que ainda teve um dos melhores horários não
mostrou tanta qualidade, nem nos covers, nem nas músicas próprias. O show é
provocante, te chama para ir para cima do palco, sair batendo em todo mundo,
organizar rodas (se bem que não se organiza roda, aparece do nada), mas chegando
de perto, vê que não é grande coisa. Talvez tenha sido apenas um show ruim. É
inegável o potencial dos caras, e deu para perceber nos pequenos solos da
guitarra, nas sacadas de algumas linhas do contrabaixo, e a batera, que seguia
sempre nervosa. Para anteceder a banda chancela da noite, nada melhor do que o
terror da melhor banda de thrash metal do Estado, isso sem contar os elementos
death que se aglomeram à composição musical deles. O show foi estrondoso, o
Venial está cada vez mais nervoso e sarcástico. Os vocais Fabinho e Barbosa se
conhecem até nos improvisos, foi uma grande festa de cinco caras em casa. De vez
em quando subia uma pessoa no palco, cantava/gritava e se jogava de novo. A
galera pedia mais. |
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O melhor de todo o
festival é que tudo foi feito sem atrasos. O show mais esperado da noite começou
na hora certa, com o palco já montado, instrumentos afinados e iluminação posta.
O Sepultura é uma das bandas brasileiras de maior repercussão mundial, tendo
viajado pelos quatro cantos do mundo levando a bandeira brasileira. Em Cuiabá
pela primeira vez, o heavy metal pesado e carregado da banda já roda a mais de
20 anos, tendo como ex-integrantes os irmãos Cavalera. Na hora do show, quando
subiram no tablado, parecia que o chão ia afundar. De repente, todo mundo
correu, grudou na grande e começou a levantar o braço. A banda está em turnê
pelo último disco, Dante XXI, lançado no ano passado. O pessoal sacudia,
tirava a camisa, colocava de novo, suava, pulava e respondia a todas as
investidas do vocalista Derrick Green, que ainda capenga no português. O show
foi histórico, sem presunção nenhuma. Banda de qualidade, que faz jus ao que
todo mundo diz sobre ela. Depois de tudo só sobrou a imagem do trabalho bem
feito pela equipe do Espaço Atômico. Parabéns pelo esforço e que venha o Kura
2008.
Texto: Dewis
Caldas, editor do Hellcity.blogger Foto: Gustavo
Adriano | |
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Comentários sobre a Matéria: |
| Boa matério..só queria esclarecer uma coisa..as foto publicadas são de autorias de Tchelo Figueiredo, e não de Gustavo Adriano (que conheço tambem).
Então se os redatores puderem fazer algo?! Agradeço
http://www.flickr.com/photos/tchelofigueiredo/ |
| De: Tchélo Figueiredo |
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