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OUT-07: TIM FESTIVAL NO RIO: BJORK E ANTONY

Palco Tim Volta (27/10)

Antony And The Johnsons

A edição carioca do Tim Festival foi aberta pelo andrógino Antony Hegarty, à frente de seu Antony And The Johnsons. Visivelmente deslocado em um palco cujas dimensões eram muitos mais amplas que as de sua música (mais apropriada para locais intimistas), o cultuado inglês conseguiu dar conta do recado, frente a um público que ainda chegava à Marina da Glória.

Acompanhado de dois violinos, um violoncelo e um contrabaixo, Hegarty destilava simpatia por debaixo de sua notável timidez, e por vezes parecia realmente satisfeito com a surpreendente acolhida dos fãs que se amontoavam em frente ao palco, e vibravam aos primeiros acordes de músicas como "Mysteries Of Love" (cover de Julee Cruise que abriu o set), e "Cripple And The Starfish".

"Não é estranho tocar piano neste tipo de situação? É como tocar para um oceano", disse ele, antes de começar "For Today Im A Boy", uma das mais pedidas da noite.

A apresentação privilegiou as músicas do último e mais conhecido álbum da banda, "I Am A Bird Now", como "Fistfull Of Love" e "Man Is The Baby". Mesmo sem deixar o piano em nenhum momento, o cantor conseguia imprimir dramaticidade à maior parte de suas canções, pontuadas por falsetes e vibratos (estes últimos, por vezes exagerados) executados com uma técnica pouco comum a vocalistas da seara pop/rock.

Ao contrário do que fez em SP, o cantor não tocou a versão para o clássico disco "I Will Survive", mas manteve no set a bela releitura de "Candy Says", escrita por Lou Reed para o Velvet Underground. Apesar de não ter sido assim anunciada, a cover pode ser entendida como uma espécie de homenagem a Reed, um dos maiores incentivadores de Hogharty, e responsáveis por sua ascensão ao estrelato.

O cantor terminou o curto set, de cerca de 40 minutos, com sua canção mais famosa, "Hope There's Someone", acompanhada por boa parte do público, e que fez deixa-lo o palco sob uma chuva de dignos aplausos.

Bjork



Uma das melhores características do Tim Festival é ser um evento que, tal qual seu antecessor (o Free Jazz), costuma primar pela excelência. Desta forma, o público (que paga caro por isto, diga-se de passagem), tem a possibilidade de ver bons artistas com suas estruturas de palco completas, figurino, iluminação e tudo mais que faz de uma apresentação musical um verdadeiro espetáculo. Como sempre deveria ser, mas quase nunca é, neste país tropical.

Sendo assim, após a estrondosa turnê da pirâmide apresentada na edição passada pelo Daft Punk, este ano foi a vez da islandesa Bjork trazer sua nação imaginária para os palcos cariocas, com direito a bandeiras e até mesmo hino imaginário, cuja execução, pelo conjunto de sopros Icelandic Wanderbrass, anunciou a entrada no palco da diva islandesa.

E bastaram os primeiros beats de "Earth Intruders" para a platéia que a esta altura já ocupava grande parte da arena (apesar do horário ingrato de 20h e do caótico trânsito carioca) deixar a montação de lado e pular feito pipoca.

Sempre transitando por sobre a tênue linha entre a alta costura e a cafonice mais explícita, a cantora adentrou o palco em um vestido dourado, que tanto podia ser visto como uma escultura barroca quanto como um Ferrero Rocher. Apesar de um pequeno problema com o PA, rapidamente sanado, mas que prejudicou a audição da cantora em um primeiro momento, a platéia parecia estupefata, acompanhando em um misto de respeito e êxtase cada movimento da artista.

Já na seqüência, "Hunter" (de seu terceiro disco, "Homogenic") contou com o primeiro coro da noite, e pôs à prova o lindo set de luzes trazido pela cantora, debaixo do qual Bjork bailava com o encanto de uma bailarina juvenil: graciosa, porém absolutamente desejeitada. Ao fim da música, um momento "spider-man", com a cantora disparando duas "teias" que deram ao cenário um visual ainda mais bonito e onírico.

Já então, era perceptível a preferência do público pelas músicas dos primeiros (e melhores) trabalhos da cantora. Desta forma, se seguiram "Pagan Poetry" (de seu quarto álbum solo, "Vespertine"), "Pleasure Is All Mine" ("Medulla"), "Unravel" e "Jóga" (novamente "Homogenic").

O primeiro ponto alto do show veio com "Army Of Me", tocada com um arranjo mais pesado e distorcido. À vontade no palco e com a platéia nas mãos, a cantora não se furta em mexer na estrutura das canções, chegando a alterar a métrica de alguns refrões.

Em seguida, "Innocence" trouxe uma batida próxima à do electro, sempre bem recebida pelo público no Rio (thanks, funk carioca), seguida por outra antiga, "I Miss You", e pela belíssima "Wanderlust", melhor faixa de seu novo disco, e na qual Bjork prova mais uma vez porque é a melhor voz do pop atual.

A apoteose veio com "Hyperballad", cuja primeira parte foi toda cantada pela platéia, emendada com "Pluto", um dos momentos de auge do festival, e que transformou a pista do Tim em uma verdadeira rave.


Na volta para o curto bis, a igualmente pesada "Declare Independence" (faixa composta em prol da independência da Groelândia), com Bjork gritando "Viva La Revolución" e direito a chuva de papel prateado no final. Um encerramento de respeito para esta que, como já se sabia desde o começo, seria a melhor apresentação do Tim Festival 2007.

Texto e fotos: Guilherme Sorgine

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