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OUT-07: ÓTIMOS SHOWS NO TIM FESTIVAL EM SÃO PAULO

28/10/2007  Arena Skol Anhembi  São Paulo


A noite quente de domingo começou com a apresentação do projeto norte-americano de hip hop/música eletrônica Spank Rock, com o público ainda chegando à gigante Arena Skol Anhembi, na zona norte da capital paulista. O grupo fez uma apresentação até animada, com um batuque pulsante, mas as pessoas no público estavam mesmo poupando as energias para o restante das atrações.

Mesmo quem estava se guardando para mais tarde não pôde se conter quando o quinteto britânico Hot Chip entrou em cena. Sintetizadores, percussão, guitarra e bons vocais. A receita é simples, mas o resultado é um banquete de música dançante, oras extremamente pop, oras quase experimental, beirando o caótico. A apresentação corria perfeitamente e todo mundo estava chacoalhando o esqueleto, até mesmo os animados músicos. Em dado momento, contudo, o Hot Chip anunciou uma música nova, começou a tocar e parou no meio. Os integrantes deixaram o palco, ninguém entendia mais nada e ficou aquela sensação tensa de coito interrompido. Depois de alguns minutos a banda voltou e tocou mais uma vez a música inédita. O show recomeçou de onde havia parado e a banda conseguiu segurar a onda botando mais uma vez todo mundo para dançar, como se nada tivesse acontecido. O show foi encerrado com o hit Over And Over para delírio geral.

No meio da programação, Björk era certamente um dos nomes mais esperados da noite. Conforme o palco ia sendo montado as pessoas iam se espremendo para ver o show mais de pertinho. A montagem da parafernália toda demorou séculos e ainda foi ao som de umas músicas meio extraterrestres, que iam causando no mínimo desânimo ou irritação. O fato é que não tinha como aquele som pentelho, somado à ansiedade da espera, passar despercebido.

As luzes se apagam e de repente entra em cena um grupo de garotas, todas uniformizadas com um traje bastante colorido, todas com pinturas no rosto e portando bandeiras, tocando instrumentos de sopro. Quando elas se posicionaram no lado direito do palco, a grande estrela entrou, cantando a nova Earth Intruders. Não deu para não botar reparo no modelito da cantora, que remetia a algo como Alceu Valença meets vendedora de acarajé. Mas nada que pudesse causar muita surpresa, afinal estamos falando de alguém que se vestiu de cisne para a cerimônia do Oscar de 2001.

Björk, o tempo todo sorrindo e dançando, fez todo mundo dançar ao som de músicas como Army Of Me, Hyper-Ballad e Wanderlust e se emocionar com Jóga, Pagan Poetry e Pleasure Is All Mine. A fusão de programações eletrônicas e sintetizadores com os instrumentos de sopro acrescentava uma atmosfera instigante às músicas. Com sua voz potente, a pequena islandesa se agigantava assombrosamente diante de um mar de pessoas atentas a cada movimento sob o palco. O show foi encerrado com a agitadíssima Declare Independence, na qual uma chuva de papel picado fechou o espetáculo com chave de ouro. Show irretocável.

Após a apresentação de Björk deu para notar que a idéia de colocar bebida na faixa na área vip teve  como já era de se esperar  efeitos colaterais. Muita gente abusou e saiu de lá trançando as pernas. O curioso é que na área vip tinha bebida de graça, mas não tinha comida (só no setor pista), o que pode explicar alguns tropeções.

Montar o palco para Björk já demorou um bocado. Desmontar também. E depois ainda teve a montagem do palco para a atração seguinte, Juliette And The Licks. Essa edição do evento em São Paulo, aliás, superou as anteriores no quesito atraso. Juliette Lewis e banda entraram levantando a galera mais uma vez. A atriz, agora vocalista de banda de rock, tem energia de dar inveja e comandou uma apresentação visceral. A banda, olhando por certo ângulo, tem um aspecto meio datado, meio rocknroll lifestyle, como se tivesse saído de um filme dos anos 80. Mas o rock de Juliette é empolgante a ponto de fazer com que as pessoas entrem nesse clima. Hot Kiss, American Boy, Sticky Honey e Got Love To Kill foram os pontos altos do show.

O quarteto britânico Arctic Monkeys também era bastante aguardado. Alex Turner e companhia entraram com o jogo ganho e fizeram uma apresentação quase sem pausas, juntando uma música à outra, tudo numa só cacetada. A banda foi impiedosa e não deixou a platéia sossegar um segundo, lançando mão dos rockões I Bet You Look Good On The Dancefloor, From The Ritz To The Rubble, Teddy Picker e Brianstorm, na qual o riff de guitarra inicial foi acompanhado em coro pelo público. O andamento só deu trégua em Fluorescent Adolscent. Ainda assim, a melodia animada dessa música - um dos sucessos mais atuais da banda - transformou a Arena Skol numa imensa festa e ninguém ficou parado, mais uma vez.

A pausa exigiu algo líquido para repor as energias. No bar mais próximo, contudo, não tinha mais refrigerante. E nem água. Pelo menos a fichinha podia ser trocada... Por cerveja... E que nem gelada estava. Sacanagem!

O último show, do The Killers, tinha seu início previsto para a uma da manhã. A banda norte-americana entrou no palco, todo iluminado e cheio de plantas, por volta das quatro. Era visível no público bastante cansaço, mas a vontade de curtir a apresentação do quarteto era maior. O Killers fez um show bastante equilibrado entre as músicas de Hot Fuss, seu álbum de estréia, de 2004, e Sams Town, que saiu no ano passado. As músicas de Hot Fuss levantaram mais o astral, talvez justamente por serem mais animadas do que as do segundo disco. De Hot Fuss vieram Jenny Was A Friend Of Mine, Somebody Told Me, Mr. Brightside e Smile Like You Mean It. As de Sams Town que mais agitaram foram When You Were Young, For Reasons Unknown, Read My Mind e a excelente Bones. O que prejudicou a apresentação da banda foi o fato de que a velocidade das músicas parecia se arrastar, o que não estava exatamente combinando com o ânimo geral. Um gás a mais seria bem vindo. A noite foi encerrada com a belíssima All These Things That Ive Done, que contou com um imenso coro no verso Ive got soul but Im not a soldier.

Para variar, o principal problema do Tim foi mais uma vez o imenso atraso. Já está na hora de a organização do evento, já em sua quinta edição, ter mais cuidado com isso. Também como nas edições anteriores, o festival teve como principal atributo a seu favor uma escalação bastante consistente.


Texto: Bruno Palma

Fotos: Tiago de Paula Coutinho

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