16/11/2007 Praia do Gonzaga
Santos/SP
No último sábado, dia 16 de
novembro, na praia do Gonzaga, em Santos, aconteceu o evento Telefônica Trio
Tons, que vem percorrendo o interior do estado de SP. As apresentações
geralmente contam com três artistas referência que reforça a propaganda do
novo pacote comercial da empresa. Na praia paulista, os anos 80 fizeram a
alegria do público. Com uma baita estrutura, ótimo palco (apesar de baixo,
prejudicando a visão daqueles que assistiram a uma distância maior),
equipamentos de primeira e dois mega-telões em alta definição, os Paralamas do
Sucesso, Frejat e Paula Toller se reuniram para celebrar velhos clássicos do
rock brasileiro ancorados também pela Lei de Incentivo à Cultura.
Se tudo indicava que a noite não
poderia ter o sucesso esperado, o tempo tratou de colaborar. Havia chovido quase
a semana inteira em Santos e poucas horas antes do início previsto, as gotas
cessaram, e quem compareceu curtiu uma noite bonita à beira-mar a falta de uma
maior divulgação e o receio de um temporal prejudicaram um pouco o número de
presentes: jovens, adultos, famílias, casais e até políticos da região esses
destinados às cadeiras na área vip (atrás do palco, os felizardos podiam beber
inúmeros drinques, petiscar, tomar sorvete, etc).

Mas antes das guitarras, foi a vez
dos violinos. A Bachiana Orquestra, a única orquestra sinfônica privada do
Brasil, surgiu às 19h35 e fez um bonito concerto em cerca de 40 minutos. Regidos
pelo renomado maestro João Carlos Martins, a platéia foi ao deleite com
clássicos como a 5ª Sinfonia de Beethoven e até uma suíte tupiniquim com toques
de baião. Destaque para as intervenções verbais de João Carlos, que fizeram o
público se divertir. Ele foi pianista durante muitos anos, considerado um gênio
do instrumento, mas perdeu os movimentos de parte das duas mãos e foi estudar
regência aos 64 anos. Ao tocar piano com dois dedos, foi e levou os presentes às
lágrimas. Brincou, fez o povo bater palmas e encerrou com sua famosa frase: A
música venceu!.
Entre o fim da sessão clássica e o
começo do pop-rock, um vídeo muito bem produzido contou a história do admirado
músico, algumas de suas apresentações fora do País e os projetos de que
participa um ligado ao meio ambiente.

21h e o próprio maestro volta para
anunciar a principal atração do dia. Antes, lembra que Herbert Vianna serviu de
exemplo para que superasse o problema com as mãos. Vestindo terno e gorro
pretos, e óculos escuros, o paralama entrou em cena acompanhado pelos parceiros
de banda e logo os urros do público comemoravam a presença de Frejat e Paula
Toller.
A vocalista do Kid Abelha causou
grandes suspiros nos marmanjos. Já chegaram a compará-la a um vinho: quanto mais
o tempo passa, melhor ela fica. Usando sobretudo e vestido pretos, meia-calça, e
com os cabelos encaracolados, a cantora só se complicou ao precisar interpretar
canções que exigiram um tom diferente ao qual está preparada, mas nada demais
perto do saldo total do set.

Sobraram hits. Dos Paralamas:
Caleidoscópio, Ela Disse Adeus, Alagados, Meu Erro, Loirinha Bombril,
Uma Brasileira, A Novidade e muitos outros. Do Kid tocaram Como Eu Quero e
Por Que Não Eu?, e do Barão Vermelho veio Exagerado. Nem é preciso avaliar
os artistas tecnicamente, pois tanto Frejat quanto o trio são extremamente
competentes em seus instrumentos. E os músicos de apoio não ficam
atrás.
E aconteceram momentos a dois.
Herbert e Paula tocaram velhas canções da época em que viviam juntos. Ele não se
rogou a elogiar o público e a organização e lembrou que viveu na cidade no
período que ocorreu a copa de 70. Ela também conversou com a platéia. Frejat foi
o mais caladão, mas não menos simpático.
No bis, Paula executou faixas de
sua carreira solo e chamou de volta Herbert, Bi e Barone, que emendaram Óculos
(nessa, Vianna costuma substituir o verso por trás dessas lentes também bate um
coração por em cima dessas rodas também bate um coração e recebe intensos
aplausos), e o primeiro sucesso do grupo: Vital e sua Moto. No encerramento,
todos juntos outra vez para emendar Descobridor dos Sete Mares, sucesso na voz
de Tim Maia.

Após quase duas horas de muita
nostalgia (em Santos tem muitos fãs dos anos oitenta), suor, sorrisos e boa
música (perdoem-me os independentes, mas ainda prefiro um bom show no mainstream
a ouvir uma apresentação ruim, mesmo sendo indie, afinal, o que importa é a
música) numa bonita noite. E tudo na faixa.
Texto: André Azenha
Fotos: Luiza Masch
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