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NOV-07: GIG ROCK: CHUVA, PALHAÇOS E... ROCK!

Sábado, 24 de novembro, chove sem parar em Porto Alegre. Dia perfeito para ficar em casa, assistindo a algum filme e comendo pipoca? Não para as cerca de mil pessoas que resolveram encarar o mau tempo e conferir o primeiro Gig Rock Circus - na verdade, a quarta edição do festival, com o diferencial de que esta contou com malabaristas, palhaços e equilibristas.

Não fosse a chuva, daria para dizer que o local escolhido era perfeito: uma lona montada à beira do Guaíba, com direito a um barzinho de frente para o lago, ambiente de festa sonorizado por DJ e, é claro, um picadeiro para receber as atrações circenses.

Dois palcos foram armados para receber nada menos que 18 bandas: as gaúchas Bandinha Di Dá Dó, Black Birds, Cartolas, Efervescentes, Império da Lã, Laranja Freak, Pública, Pupilas Dilatadas, Replicantes, Rendezvous, Severo em Marcha, Subtropicais e Supergatas, e as visitantes Autoramas (RJ), Bondage (SC), Los Porongas (AC), Moptop (RJ) e Terminal Guadalupe (PR). A estrutura era de primeiro mundo: enquanto alguém tocava em um dos palcos, os roadies ajustavam o equipamento da próxima atração, que logo a seguir iniciava seu show no outro. Quem queria comprar uma cerveja ou um algodão doce precisava se apressar para não perder nada.

A festa começou com alguns números do Circo Girassol. A trupe, comandada pelo diretor Dilmar Messias, é pioneira no Estado em mesclar a linguagem tradicional mambembe e a do chamado "novo circo", que incorpora técnicas teatrais e de dança aos espetáculos. Logo depois, entrou em cena a Bandinha Di Dá Dó, cujos músicos se apresentam vestidos de palhaço e executam clássicos do repertório circense, além de bem-humoradas composições próprias.

Inspiração nos Stones

A ligação entre rock e circo é antiga. Um dos mais bem-sucedidos projetos do gênero foi realizado no fim dos anos 60, quando os Rolling Stones convidaram outras feras da música (The Who e Jethro Tull entre elas) e trapezistas, equilibristas, palhaços e engolidores de fogo para um especial de TV. Por questões judiciais, o show acabou não indo ao ar, mas já há algum tempo está disponível em DVD.

"O 'RocknRoll Circus' (nome dado ao especial apresentado por Mick Jagger e cia.), com certeza, influenciou esta edição do Gig Rock. Mas a idéia veio de algumas conversas com Dilmar, que também achou interessante misturar as duas formas de arte", explica o empresário Vitor Lucas, proprietário da casa noturna Cabaret do Beco, do espaço Beco Cultural e produtor do festival.

Sintonia entre duas artes

A fusão perfeita entre circo e rock aconteceu quando os passo-fundenses da Severo em Marcha executaram um set instrumental como trilha para as performances do Circo Girassol. Palhaços strippers e inusitados números de malabarismo foram algumas das atrações que fizeram a alegria da galera.

"Essa mistura tem tudo a ver, pois é muito interessante e junta duas formas de expressão alternativas. Além disso, o rocknroll é um circo!", diz Julia Barth, vocalista da lendária banda de punk rock Os Replicantes.

Veterano na cena independente, o líder da banda carioca Autoramas, Gabriel Thomaz, é só elogios para o festival. "Esse clima me lembrou os antigos tempos do Circo Voador (casa do Rio de Janeiro que foi fundamental para o rock brasileiro nos anos 80)", explica o vocalista e guitarrista. Gabriel, que participou do Gig Rock pela primeira vez, ressaltou a importância do evento para os gaúchos. "Era algo que faltava no Rio Grande do Sul. A cena aqui é muito forte, mas precisava se consolidar com um festival desse nível."

Saldo positivo, apesar do tempo

Alguns grupos locais tiveram, no Gig Rock Circus, uma oportunidade inédita. "Foi apenas o nosso segundo show, então não poderia ser melhor. Qualquer banda gostaria de participar de um festival desses, que é muito importante para a cena independente no sul do país", afirma Augusto Mallman, vocalista e guitarrista da banda Rendezvous.

Quem enfrentou a chuva e a maratona de shows dificilmente se arrependeu. Não foi pouca gente, mas poderia ter sido muito mais, como lembra Pedro Metz, guitarrista da Pública, banda que vem crescendo bastante, impulsionada pelo hit "Long Plays": "Que pena essa chuva. Se não estivesse assim, isso aqui estaria um absurdo de cheio". Se depender da repercussão dessa primeira edição, o próximo Gig Rock Circus promete. Basta que São Pedro dê uma mãozinha...

Texto: Daniel Sanes

Fotos: Isadora Lescano

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