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NOV-07: GOIÂNIA NOISE: O ROCK MAIS INTENSO DE 2007
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Já no primeiro show, do Mugo, o festival começou bonito, com a banda nova de Léo Alcanfor, ex-Violins. Guitarras latindo riffs ofensivos, enquanto os vocais que opõem o tempo todo fúria/doçura e a cozinha fazem contraste com sua veia escancaradamente pop.
Teve também o Dave Crider, líder dos DTs, tirando sarro com a repórter da tevê local durante uma entrevista pouco inspirada, chuva torrencial relâmpago durante o show do Motosierra, comoção coletiva no do Móveis Coloniais de Acaju, e muita surpresa pra quem viu Macaco Bong e Pata de Elefante pela primeira vez. Os dois trios, cada um a seu modo, são o que há de melhor na produção independente atual. Estão, sem dúvida alguma, na elite dessa nova música brasileira.
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O Miranda (é, esse mesmo, o jurado menos polido do "Ídolos"), que já "descobriu" e produziu, entre tantos outros, Mundo Livre S/A e Raimundos lá em meados dos anos noventa , me disse que chegou mais cedo na sexta-feira só pra conferir a apresentação do nosso bardo indie-caipira Diego de Moraes, e que gostou muito do que viu. Já Fernanda Takai, em simpática entrevista a este que digita do lado de cá da tela, garantiu que tocar no Goiânia Noise era uma vontade antiga do Pato Fu, e que estavam muito felizes por fechar a primeira noite.
O Seven é um dos melhores grupos instrumentais de Goiânia, e fez um dos grandes shows da sexta-feira, num momento que confundiu as referências da platéia, fazendo voltas na cronologia do psicodelismo. Remexendo na lisergia colorida e empoeirada dos anos sessenta e passeando de raspão pela psicodelia noturna e lúgubre dos anos oitenta. A grande sacada é que o grupo sabe arejar esse reprocessamento todo com uma personalidade inegavelmente contemporânea.
Já o Superguidis fez um show que deixou Fernando Rosa, o Senhor F, bastante irritado com o som do palco um, que, a exemplo do ano passado, deu problema durante o festival inteiro. Pelo jeito, a acústica do Palácio da Música não é lá muito fidalga, como sugere sua aparente opulência.
No mais, todos eram elogios rasgados ao Goiânia Noise. O Leandro Carbonato, da Trama Virtual, que nunca tinha vindo ao Noise, dava beijos estalados na testa de Fabrício Nobre depois que o festival acabou, num sincero, deslumbrado e embriagado agradecimento pela festa, e até o Jan Keymis, do Pukkelpop Festival, Bélgica, se confessou impressionado.
Aliás, depois do show do MQN, a equipe da Trama que veio em peso, com 10 pessoas , fez a entrevista mais alcoólica do festival com o grupo, que derramava cerveja e uísque na cabeça uns dos outros.
Além disso, o Cordel do Fogo Encantado (foto) fez um senhor espetáculo, o Pato Fu me comoveu com a meiguice do show novo, e o Sepultura me fez perder mais da metade do show do Battles por causa da hora que escolheram para dar entrevista. Já a entrevista com o Battles me fez perder o show do Mundo Livre S/A. Não se pode ganhar todas.
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Mas os DTs fizeram história, a Pelvs fez um show morno, porém bonito, os Mechanics emprestaram o choque estético do Grupo Empreza, e o Korzus fechou seu set com "Reign In Blood", do Slayer, para delírio da horda de camisetas pretas.
Lá no piano bar do Centro Cultural Goiânia Ouro, durante os três dias que precederam o início dos shows do Goiânia Noise, jornalistas, radialistas, advogados, artistas, produtores e ativistas culturais em geral, debateram temas relacionados ao universo musical e independente, brasileiro e estrangeiro.
Ana Maria Bahiana, um dos maiores nomes da nossa crítica musical, que dirigiu recentemente a comédia romântica pop "1972", liderou a mesa "Origem, história e desenvolvimento da imprensa musical nacional", num bate-papo descontraído e informal que percorreu quase duas horas da programação já atrasada.
Depois, na discussão "Os veículos públicos e a música além do jabá", Kiko Ferreira, da Assossiação de Rádios Públicas do Brasil, Marcos Pinheiro, da Rádio Cultura do Dê-Efe, Israel do Vale, da Rede Minas, e Márcio Júnior, da Monstro Discos, ocuparam-se da hora e meia seguinte numa reflexão sobre alternativas viáveis para a nova música brasileira, dentro da rádio pública.
Antes, no começo da tarde, Terence Machado, do programa Alto Falante/Rede Minas, Marcos Bragatto, editor da revista Outracoisa e ex-editor da Dynamite, e Sonoe Ono Fonseca, do Itaú Cultural, não sentiram muita falta de Lúcio Ribeiro, editor do blog Popload e que não apareceu para o debate "A cena independente e as novas alternativas de divulgação".
A quarta e a quinta também foram recheadas de conferências, com presença de personalidades gringas do circuitos de festivais: Jan Keymis (Pukkelpop - Bélgica), Brent Grulke (South By Southwest EUA), Nicolás Wainszelbaum (BAFIM Argentina), e Daniel Seligman (Pop Montreal Canadá), e também representantes de selos clássicos, como Dave Crider, da estadunidense Estrus Records, David McLoughlim da BM&A / The Orchard, Eduardo Ramos, da "nossa " Slag Records, Sylvie Piccolotto, do argentino Scatter Records, e Edgar Raposo, da Groovie Records, de Portugal.
O trio cuiabano Macaco Bong, que impressionou dez entre dez humanos no Goiânia Noise, vai esticar sua estada na cidade por uns bons dez dias. É que o trio grava aqui seu primeiro disco cheio, lá no Rock Lab Studio, laboratório sonoro do Gustavo Vasquez, coffee master e baixista do MQN. O colunista Fora do Eixo aqui não vai ficar de fora dessa e vai cobrir in loco os bastidores da gravação do que, já dá pra antecipar, será um dos melhores discos de rock de 2008. Duvida?
Lá no Noise minha mochila se enchia todos os dias com o tanto de lançamentos legais que circulavam nas mãos das bandas, produtores e jornalistas. Já comecei a escutar a pilha de CD's recém-chegados, e o "SoFun Hits", disquinho do coletivo goianiense de design e rock'n'roll que compila uma porção de coisas legais e outras nem tanto, abriu a fila.
Tem também o novo do Madame Saatan lançado pelo Espaço Cubo em parceria com a Fósforo Records, o novo do Revoltz, os disquinhos do Pop Montreal que é tipo o Goiânia Noise dos canadenses, e o do Abril pro Rock 2007; a estréia do Balck Drawing Chalks, o primeiro disco da dupla jazzy The Colagens, o goth pop da The Name, e uma porção de outros.
Texto e foto: Hígor Coutinho
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