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DEZ-07: TWISTED SISTER EM NEW YORK


O frio novaiorquino, a cidade toda iluminada, os papais-noéis na rua (um deles na fila do show!) davam o clima natalino, mas ninguém poderia imaginar que a verdadeira festa de Natal seria dada pelo Twisted Sister momentos depois.

Por um momento fiquei preocupado, uma vez que a fila do show, que normalmente há uma hora do evento já deveria estar dobrando o quarteirão, estava bem pequena. "Será que o Twisted Sister tocaria para uma casa vazia?", era o que passava na minha cabeça.

Quem abriu o show foi uma banda chamada ZO2, um power-trio do Brooklyn que realmente me surpreendeu (a abertura do dia seguinte ficou com o Baptized By Fire, a banda de Jesse Blaze, o filho de Dee Snider, vocalista do TS). O som dos caras é muito bom, Hard Rock clássico, bem anos 70 (ao vivo é tão pesado que por vezes soa meio Grunge; eles se auto-definem como "Groove"), são ótimos músicos - tanto o guitarista Paulie Z, que é o vocalista principal, quanto o seu irmão, o baixista David Z, cantam muito bem. David é ex-baixista do Trans-Siberian Orchestra e o baterista Joey Cassata (também do Blue Man Group) segura bem firme, mas o que chama a atenção mesmo é o carisma deles no palco. Você sente o quanto eles estão se divertindo enquanto tocam e a energia deles é simplesmente contagiante. O set distribuiu igualmente material do primeiro CD ("Tuesdays & Thursdays", de 2004), como "Takin' Me Down", "Fly On Your Wings" (Paulie dá um show de vocal nessa música) e do segundo (o recém-lançado "Ain't It Beautiful"), como "Ain't It Beautiful", "If You See Kay" e até tocaram um cover - "Tom Sawyer" do Rush, executado com perfeição. Não é à toa que já abriram para Kiss, Poison, Ace Frehley... Os caras são bons mesmo, e ainda por cima simples; disseram que estariam ao lado do stand de camisetas caso alguém quisesse conversar com eles, e de fato - do fim do show deles até a casa fechar eles estavam lá, batendo papo com a galera... Confira: http://www.zo2.com/ ou http://www.myspace.com/zo2.

Em seguida veio o Belladonna que mais uma vez deu um show de simplicidade, brincando muito com o público e sendo muito simpático (uma hora ele derrubou água num fã, foi pra trás do palco e voltou com uma toalha pro sujeito!), e mais uma vez foi prejudicado com pouco tempo, tendo que cortar o set pela metade devido a atrasos na programação... Mesmo assim foi esperto e administrou o set list pra detonar - tocou duas músicas da carreira solo (todos os CDs dele estavam à venda por apenas 10 dólares cada um!) e o resto foi só Anthrax. A surpresa foi a adição de um segundo guitarrista para as músicas do Anthrax - depois da popular "Hard Life", de sua carreira solo, Belladonna anunciou a entrada de Nick Bowcott, ex-guitarrista do Grim Reaper. E aí vieram "Madhouse", "Medusa", "Caught In A Mosh" (curiosamente sem rodinhas de mosh), "Anti-Social" (o cover da banda francesa Trust popularizado pelo Anthrax) e "Efilnikufesin (N.F.L.)". Um bom show, muito embora prejudicado por um som um tanto quanto embolado - é mais fácil para bandas de Hard Rock como o ZO2 se darem bem com um sistema de som inferior devido ao estilo das músicas ser mais limpo; uma banda de Thrash Metal como a de Belladonna, entretanto, acaba virando um barulho só e quem não conhece as músicas acaba sendo prejudicado.

Fiquei feliz em ver a casa lotada quando era hora do Twisted Sister entrar no palco; afinal, eles merecem. Sempre foram uma banda dicotômica - americanos, tiveram que fazer sucesso na Inglaterra para poder ser reconhecidos "em casa" (assim como Jimmy Hendrix, Manowar e tantos outros); possuíam o melhor visual fora do palco (pareciam motoqueiros) enquanto se vestiam de drag nos shows; ao passo que os discos de estúdio tendiam cada vez mais ao comercialismo, contendo cada vez mais baladas (muito embora sempre repletos de petardos) os shows se tornavam cada vez mais estupidamente pesados.

O roadie vestido de duende já anunciava o que vinha pela frente - Dee Snider vestido de Papai Noel e jogando pirulitos para os fãs tirados de um enorme saco vermelho enquanto neve falsa caía sobre o público. Era o clima perfeito para eles detonarem a versão pesadíssima de "Have Yourself a Merry Little Christmas", seguida de "White Christmas". E antes do público se perguntar se o show seria exclusivamente de músicas de Natal, veio a destroçante "Stay Hungry" seguida da pesadíssima "Wake Up The Sleeping Giant", dedicada ao fã-clube da banda (devido à sua imprevisibilidade de ser tocada). Outro rock natalino veio com "I Saw Mommy Kissing Santa Claus", mas o verdadeiro presente foi "You Can't Stop Rock and Roll" (minha favorita), um dos maiores hinos do Heavy Metal de todos os tempos.


Dee Snider (para variar, super falante) aproveitou "The Fire Still Burns" para explicar porque o Twisted Sister continua a fazer o que faz ("A única desculpa válida para uma banda não se reunir novamente é a morte"), aproveitando para meter o pau no Grunge, Nu-Metal e no Emo: "Eles vêm, se vão, e a gente continua"; Jay Jay French aproveitou a deixa e emendou: "Se você acha a vida tão depressiva, não perca tempo com música, vá a um psiquiatra!". Genial. A balada oitentista "The Price" veio em seguida (curioso como algumas coisas que achávamos brega há 20 anos hoje em dia dão aquele gostoso sentimento saudosista), depois "Shoot 'Em Down" (só o Twisted Sisiter para fazer uma música que soa "divertida" em estúdio e "violenta" ao vivo) e então outra natalina, "Oh Come All Ye Faithful" (que nas mãos do TS começa como "We're Not Gonna Take It").

A próxima música também foi de Natal, I'll Be Home For Christmas, mas com uma dedicação especial - aos soldados americanos no Iraque, mas Dee Snider deixou claro: "Eles estão apenas fazendo o trabalho sujo dos políticos". Curiosamente, a música emendou direto em "Burn In Hell" (coincidência ou indireta?) e então A.J. Pero, com o cabelo oxigenado, mandou bala com um solo de bateria no escuro (as baquetas eram iluminadas). A música seguinte foi "Silver Bells", dedicada a New York City (a letra fala do Natal em New York) e pra arrasar o set terminou com "I Wanna Rock" (eleito um dos dois maiores hinos de Rock dos anos 80 - veja o outro abaixo).

Logo as luzes se acenderam e a banda voltou sem intrumentos e carregando cartazes gigantes. "As outras bandas deixam vocês esperando e implorando pela volta deles", disse Dee Snider, "O Twisted Sister não!". Mais uma vez, o guitarrista Jay Jay French emendou: "Talvez por isso eles tocam em locais gigantes e a gente em locais pequenos..." (isso é muito legal no TS, a capacidade de fazer humor com eles mesmos, não apenas com os outros). Bem, os cartazes tinham a letra da versão Heavy Metal da cantiga natalina "The Twelve Days of Christmas" (batizada pela banda de "Heavy Metal Christmas"), e o que houve em seguida foi muito legal - um grande coral de Natal com a banda e o público cantando juntos (na verdade, rindo porque a letra da música era bem engraçada). Logo a banda pegou os instrumentos para finalizar o coral e emendou em "We're Not Gonna Take It" (o outro maior hino de Rock dos anos 80 - curiosidade: o Queen tinha os dois maiores dos anos 70, "We Will Rock You" e "We Are The Champions"), com todo mundo cantando alucinadamente. A última música foi "SMF", que fechou com chave de ouro uma das melhores festas de Natal da minha vida. Além disso, foi a realização de um sonho ver o TS ao vivo com os a formação clássica - Dee Snider, Jay Jay French, Eddie "The Fingers" Ojeda, A.J. Pero, Mark "The Animal"Mendoza. A banda é simplesmente espetacular ao vivo e Dee Snider de fato um frontman como poucos.

Se você tiver a oportunidade de vê-los ao vivo, não perca; se não tiver, eles estão lançando o DVD "A Twisted Christmas Live", com o show de New Jersey.

Texto: Micki Mihich

Foto: Simone Mihich Bueno

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