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FEV-08: PSYCHO CARNIVAL: SEGUNDO DIA

Psycho Carnival


03/02/2008 (domingo)


 


Com o cancelamento do show que estava programado para acontecer nas Ruínas do São Francisco no Largo da Ordem e do workshop com Valle, baixista do Mad Sin, o público teve "somente" à noite para pirar. O aquecimento foi, como de lei, no freqüentadíssimo Chinasky.


Já no Jokers, a primeira banda é a iniciante As Diabatz, que tive a oportunidade de ver em sua estréia na festa de aniversário do Chinasky no 92 graus, onde já pude notar que as garotas são feras e mandam bem seu psychobilly. E no palco do Jokers não foi diferente, não se intimidaram em tocar para seu maior público até então. O trio, formado por Baby Rebbel (guitarra e vocal), Claudia Smith (baixo) e Clau Sweet Zombie (bateria e backing vocais), detonou suas músicas autorais, como "Witches Stomp", "Psychomad Mary", "Summertime Booze" e "Wide Awake", fechando com um cover do The Meteors. Vale lembrar que elas acabam de ser convidadas para participar do festival de psychobilly em Calella, na Espanha.


Direto de Santos, o Big Nitrons, que acaba de voltar do Chile e está para lançar o seu primeiro CD, praticou um dos melhores shows do festival, com uma pegada e atitude de palco que lembra o King Kurt. Denominado de funbilly, o quarteto, formado por Big Nitron (vocais), Hunted Lucas (guitarra), Moloko (baixo elétrico) e Gabrihell (bateria), fez uma verdadeira festa no palco com direito a confete, serpentina e espuma, e muito psychobilly de qualidade, agitando o público. Teve até uma engenhoca para se beber cerveja num gole só. Um psycho subiu ao palco e bebeu várias latas de uma vez só, sendo ovacionado pela galera!


A dupla seqüência gringa veio com o dinamarquês Pete 1 que foi guitarrista dos discos mais importantes da banda dinamarquesa Nekromantix, como "Hellbound", "Curse Of The Coffin" e "Return Of The Loving Dead", e veio ao Brasil como o mais novo guitarrista do Mad Sin. Pete subiu ao palco sozinho, com violão em mãos, às vezes trocando-o por uma guitarra. Contou até com a participação do baterista Gabrihell, do Big Nitrons. No show, que o mesmo nomeou de "Músicas que o diabo me ensinou", além de tocar suas composições, o guitarrista mandou vários clássicos do Nekromantix, músicas country, covers, dentre eles Dead Kings.


A segunda atração internacional da noite foram os chilenos do Voodoo Zombie. Formada pelos esquisitos Crazy Voodoo Kat (vocais), Lucifer Rocker (guitarra), SexBasstian (baixo acústico) e Pelao Psycho (bateria), este quarteto subiu ao palco com os integrantes todos maquiados de monstros e zumbis. Com muito sangue, a banda fez uma apresentação bem teatral, com destaque para a vocalista Kat vestindo uma roupa bem sexy em vinil verde e preto com cinta-liga e meia calça, e com uma performance digamos "zumbi robótica". Já o show em si, alternou bons e maus momentos; por parte de público foi difícil analisar, já que a maioria estava em estado de hipnose coletiva, somente assistindo, como observei lá de cima do mezanino. O hit "Amor Psycho" foi cantado por parte do público. A banda ainda mandou músicas próprias, como "El Twist De La Pin-Up Zombie", "Pandemia" e "Manicomio", todas cantadas em espanhol, exceto o cover de "London Dungeon", do grande Misfits, fechando com a autoral "Camino de Sangue".

E, para fechar a noite, uma das bandas mais conceituadas do cenário rock/underground do País, os camaradas do Ovos Presley. Creio que foi o maior show da banda até então com esta formação. Acompanhei este novo line up desde seus primeiros shows por aqui, observei a falta de entrosamento e a adaptação dos novos membros. Hoje, Rafael (bateria) e Neih (baixo), ambos membros da punk AutoControle, estão em perfeita sintonia com os membros originais e fundadores Wallace Che (guitarrista) e Ademir (vocalista), e fizeram um dos melhores shows do Psycho Carnival. Ademir está como sempre demoníaco, não para um segundo no palco (e fora dele também, já que ele desceu do palco durante o show), interage com a galera e esta com o frontman. Neih, vestido de Leatherface, com máscara e macacão sujos de sangue, detonou nas quatro cordas. Já Ademir, Wallace e Rafael subiram no palco com suas tradicionais fantasias de ovos múmia. Eles entraram detonando com a clássica "Homens Azuis", seguiram com "Papai é um morto vivo", "Cão Sarnento", e assim seguiu-se um desfile de clássicos do rock curitibano. Lá pelas tantas homenageiam duas bandas de punkabilly, assim como eles, de Curitiba, com dois covers seguidos para "Neanderthal Woman", dos Missionários, e "Anjo da Morte", dos Cervejas, para fazer os "véios" chorarem, como o próprio Ademir disse em conversa particular um dia desses. Mandaram muitas músicas, já que por várias vezes eles tentaram em vão acabar o show; a galera estava lá, presente, sempre pedindo mais! E assim mandaram, dentre outras, "Mulher", "Garota Anfetamina", "Baby Doll", lá das profundezas do baú, "Monstro Doido", "Vai Toma no Cú", "Fome Animal", dando espaço ainda para a mais recente música, "Sem Memória", após anos sem novas composições, mostrando um ritmo bem mais punk do que billy. No show festa ainda teve espaço para os covers de "Puta Vomitada", do skate punk Grinders, e dos também punks do Dead Kennedys, com "Kill The Poor" para delírio dos presentes.

Texto: Herik Correia Rocha

Fotos: Murilo Ribas

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